maio 17, 2026
maio 17, 2026
17/05/2026

Obesidade ultrapassa hipertensão como principal risco à saúde no Brasil, aponta estudo

O crescimento da obesidade no Brasil elevou seu papel como principal fator de risco à saúde, conforme dados de uma análise global sobre a carga de doenças. O estudo revela que o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado ultrapassou a hipertensão arterial, que por décadas liderava a lista, posicionando-se agora como a principal causa associada à diminuição da qualidade de vida e ao aumento de mortes no país.

Os dados foram publicados na edição de maio de uma revista científica e fazem parte de uma pesquisa conduzida por pesquisadores de mais de 200 países. No Brasil, o levantamento aponta mudanças no perfil de risco da população nas últimas décadas, associadas principalmente à urbanização, à diminuição da atividade física e ao aumento no consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, açúcar e sal.

Especialistas apontam que o ambiente brasileiro atual favorece o crescimento da obesidade, um cenário descrito como “obesogênico”. Segundo o endocrinologista Alexandre Hohl, a condição deve ser encarada como uma doença crônica, e não apenas uma questão estética. Ele explica que a obesidade é uma condição inflamatória e metabólica, que eleva o risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e alguns tipos de câncer.

A análise comparativa de dados históricos mostra a mudança no perfil de risco no Brasil. Em 1990, as principais causas de mortalidade e perda de qualidade de vida eram hipertensão, tabagismo e poluição do ar, com o IMC elevado na sétima colocação. Hoje, a obesidade lidera a lista, registrando aumento de 15,3% desde então. A hipertensão ocupa a segunda posição, seguida pela glicemia elevada. Outros fatores, como poluição, tabagismo, prematuridade, baixo peso ao nascer e colesterol elevado, apresentaram redução significativa nas últimas décadas.

Entretanto, o estudo aponta que, entre 2021 e 2023, houve uma interrupção na tendência de redução do tabagismo, com um aumento de 0,2% neste período após anos de declínio. Além disso, o impacto da violência sexual na infância cresceu, subindo do 25º para o 10º lugar no ranking de fatores de risco, com aumento de quase 24%.

A lista atual dos principais fatores de risco à saúde e à longevidade no Brasil inclui, além da obesidade, hipertensão, glicemia elevada, tabagismo, prematuridade ou baixo peso ao nascer, consumo de álcool, poluição atmosférica, problemas renais, colesterol alto e violência sexual na infância.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad