maio 24, 2026
maio 24, 2026
24/05/2026

Polícia Federal encontra R$ 500 mil em vídeo de deputado Rangel ligado a esquema de caixa 2

A Polícia Federal identificou no celular do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) um vídeo que mostra uma mala contendo R$ 500 mil em dinheiro vivo. A investigação aponta que esse montante seria parte de um suposto pagamento realizado pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), destinado ao financiamento de campanhas de aliados políticos em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

Segundo a Polícia Federal, essa quantia faria parte de um esquema de caixa dois estimado em cerca de R$ 2,9 milhões. O recurso teria como destino a campanha de Thamires Rangel, filha de Thiago Rangel, além de outros candidatos ligados ao grupo político do parlamentar nas eleições municipais de 2024. Thamires foi exonerada pelo governador em exercício no início de maio.

A investigação revela que o esquema teria sido articulado por Rodrigo Bacellar e favoreceria deputados aliados por meio da manipulação de licitações na área de Educação, com superfaturamentos e direcionamento de contratos públicos. Áudios presentes no celular de Thiago Rangel também indicam a atuação de Luís Fernando Passos de Souza, apontado como operador financeiro do deputado, incluindo menções diretas a Bacellar ao discutirem o suposto acordo financeiro.

Além das imagens, a PF reuniu conversas que reforçam a hipótese de uso de caixa dois para financiar campanhas e ampliar a influência política do grupo em Campos. A operação também aponta irregularidades em postos de combustíveis, também de propriedade de Thiago Rangel. Segundo as apurações, bombas de combustível nesses estabelecimentos adulteravam os volumes entregues, entregando menos do que o registrado, prática conhecida como “bomba baixa”. Planilhas eletrônicas encontradas no telefone do deputado indicam descontos de até 10,41% no volume de combustível entregue, o que, na prática, resultava em economia de cerca de 5 litros para cada 50 litros vendidos.

As estimativas da PF indicam que o grupo poderia obter um lucro mensal de aproximadamente R$ 1,6 milhão com essa fraude. As defesas de Thiago Rangel e de Rodrigo Bacellar negaram envolvimento em ilícitos. A equipe do deputado afirmou que ele nunca promoveu operações financeiras ilegais ou recebeu valores indevidos, e que tais alegações serão refutadas em processos judiciais. A defesa de Bacellar também declarou que ele não possui relação com os fatos investigados e que não há registros de sua participação.

As investigações continuam, com desdobramentos e possíveis ações futuras para esclarecer as alegações e apurar as responsabilidades.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad