A Área de Proteção Ambiental de Maricá, que engloba a restinga entre a lagoa e o oceano, é o lar de diversas comunidades tradicionais, incluindo São Bento da Lagoa, Ponta do Fundão e Morro do Mololô. Entre essas localidades, destaca-se a comunidade pesqueira de Zacarias, fundada em 1790, cuja população mantém práticas de pesca tradicionais e preserva conhecimentos passados de geração em geração.
Um dos métodos característicos utilizados pelos moradores é a pesca de galho, técnica na qual galhos encontrados na restinga funcionam como armadilhas naturais para capturar peixes. As rotas de pesca dessa comunidade percorrem dunas, corpos d’água e áreas de alagados, evidenciando uma relação de adaptação ao ambiente natural que sustenta suas atividades.
A vegetação da restinga é altamente diversificada, abrigando mais de 400 espécies de plantas, incluindo 19 espécies endêmicas, além de um universo de pelo menos 265 espécies de aves. Contudo, a riqueza ecológica da região enfrenta ameaças de projetos imobiliários e empreendimentos de resorts, que pressionam os limites da área protegida. Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça determinou a suspensão de licenças concedidas para grandes projetos na área, reconhecendo a importância de preservá-la para as comunidades tradicionais e o ecossistema.
Hoje, visitar Zacarias oferece uma oportunidade de conhecer casas coloridas, degustar frutos do mar frescos e dialogar com os pescadores sobre as técnicas de pesca de galho. Além do potencial turístico, a comunidade representa uma resistência pela manutenção de um modo de vida sustentável, alinhado à conservação natural da restinga de Maricá.
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