Um estudo pioneiro realizado na região de Realengo, no núcleo Piraquara do Parque Estadual da Pedra Branca, revelou a presença de 21 espécies de mamíferos não voadores. A pesquisa, conduzida ao longo de três anos pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), fornece novos dados sobre a biodiversidade em uma das maiores áreas de conservação do Rio de Janeiro.
O Parque, que cobre mais de 14 mil hectares e engloba 17 bairros das zonas Oeste e Sudoeste, é conhecido por sua variedade vegetal. A investigação ampliou o entendimento sobre a fauna local, identificando espécies consideradas raras ou ameaçadas de extinção. Entre os registros, estão o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus) e a paca (Cuniculus paca), ambas listadas como vulneráveis na classificação estadual. Também foram detectadas pela primeira vez na área as espécies tapiti (Sylvilagus brasiliensis), cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), cutia (Dasyprocta leporina) e furão-pequeno (Galictis cuja).
A região, anteriormente afetada por incêndios e desmatamento, apresenta sinais de recuperação natural da fauna silvestre. Os registros foram feitos com o uso de câmeras escondidas instaladas na Trilha Transcarioca, que passam pelo parque. Essas câmeras foram doadas pela empresa Alpha Group e possibilitam o monitoramento discreto dos animais.
Cabe destacar que o gato-do-mato-pequeno é o menor felino selvagem do Brasil, com hábitos noturnos, comportamento solitário e uma dieta que inclui roedores, aves, lagartos e anfíbios. Sua expectativa de vida na natureza pode atingir até 15 anos.
Atualmente, o monitoramento continua sob a coordenação do pesquisador e voluntário da Trilha Transcarioca, Diego Monsores, em parceria com os guardas-parque do Inea. As ações visam fortalecer os esforços de conservação e aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade na região.
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