As ruínas da antiga Capela de São José da Boa Morte, situada em Cachoeiras de Macacu, no interior do Rio de Janeiro, estão passando por processos de restauração e requalificação. A estrutura, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural desde 1989, deve ganhar um centro comunitário e um espaço cultural acessível ao público ainda neste ano.
Construída em 1734, a capela representa uma importante referência na história religiosa e social da região. Até o século XIX, foi palco de batismos, casamentos e sepultamentos, além de ser cenário de eventos ligados à vida comunitária e episódios de luta camponesa. As obras de conservação começaram em 2025, realizadas pela Elysium Sociedade Cultural, em parceria com a prefeitura local e a Nova Transportadora do Sudeste, apoiadas pela Lei de Incentivo à Cultura. O investimento total previsto é de cerca de R$ 18 milhões.
O projeto de restauração inclui reforço estrutural, ações de preservação e medidas voltadas à sustentabilidade. Uma novidade prevista é a instalação de um mirante, que permitirá aos visitantes uma nova perspectiva sobre o conjunto histórico, sem alterar sua estrutura original. Segundo o responsável técnico, o engenheiro Pedro Carim, essa intervenção busca criar um espaço de contemplação que respeite a autenticidade das ruínas.
A equipe de arquitetura enfatiza que as ações são controladas para garantir a preservação do patrimônio. A arquiteta Jéssica Marques explica que as intervenções visam manter a integridade do local, evitando perdas no processo. A iniciativa também busca deixar um legado para a comunidade local, ao fortalecer o vínculo com a história por meio da conservação do bem cultural, conforme expressou Erick Pettendorfer, CEO da NTS.
A área, próxima ao Rio Macacu e a pontos de interesse para trekking, montanhismo e rapel, já atrai turistas que buscam atividades de ecoturismo e esportes de aventura. Com a requalificação, espera-se um impulso no fluxo de visitantes, valorizando ainda mais o turismo na cidade. A localidade faz parte da rota Cenários e Sabores, que combina turismo rural, ecológico e gastronômico, além de integrar o circuito estadual de ciclismo.
De acordo com a especialista Rachel Wider, a história da capela remonta à sua construção inicial em pau a pique, técnica de barro e madeira. Ela destaca que a capela já possuía uma pia batismal em 1758, sinalizando o fortalecimento da comunidade local. Os enterramentos dentro da igreja, prática comum na época, evidenciam as crenças sociais e religiosas da época. A preservação das ruínas permite uma compreensão mais profunda do passado, contribuindo para a conexão entre história e presente, além de fornecer valiosos conhecimentos sobre técnicas construtivas antigas e a trajetória da região.
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