maio 26, 2026
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26/05/2026

Gastos do governo do Rio com jatinhos de ex-governador incluem voos sem passageiros, aponta levantamento

Investigações apontam que o Governo do Rio de Janeiro desembolsou mais de R$ 5,8 milhões por voos de aeronaves utilizadas na administração do ex-governador Cláudio Castro, totalizando cerca de 30% dos gastos com jatos fretados no período. Essas despesas incluem viagens realizadas sem passageiros, de acordo com levantamento divulgado pela BandNews FM.

Entre abril de 2023 e março de 2026, o estado destinou aproximadamente R$ 18,5 milhões para o aluguel de jatinhos que atendiam às atividades do então governador. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação revelam que foram registradas mais de 200 viagens nesse intervalo. Destes, cerca de R$ 5,81 milhões foram pagos por deslocamentos realizados apenas com o piloto a bordo, enquanto aproximadamente 86 mil quilômetros percorridos pelos aviões não tiveram passageiros, uma distância superior a duas voltas completas ao redor do planeta.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) mantém investigação sobre o tema. O conselheiro José Gomes Graciosa determinou que órgãos públicos e empresas aéreas apresentem informações detalhadas, incluindo registros de voos, listas de passageiros e justificativas para os deslocamentos realizados de março de 2023 a março de 2026. A auditoria foi instaurada após representação da deputada Martha Rocha, com foco em possíveis irregularidades, como viagens sem justificativa de interesse público, transporte de pessoas sem vínculo oficial e documentação insuficiente das despesas.

A empresa Líder Táxi Aéreo foi notificada a fornecer manifestos de passageiros, notas fiscais, ordens de serviço e registros completos dos voos realizados. Além dela, órgãos como a Casa Civil, o Gabinete de Segurança Institucional, a Secretaria de Fazenda, a Controladoria-Geral do Estado e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo também deverão colaborar com informações oficiais.

Um dos deslocamentos sob investigação ocorreu em novembro de 2023, com destino a Porto Alegre. Na ocasião, familiares de Castro, do próprio ex-governador e do assessor Diego Faro (atualmente vereador), estiveram na viagem, que durou quatro dias. Outras viagens registradas incluem destinos como Salvador, São Paulo (para a corrida de Fórmula 1 em Interlagos) e Gramado. A apuração busca esclarecer se todos esses deslocamentos possuíam relação direta com atividades públicas ou institucionais.

Mesmo diante das questionamentos, o conselheiro José Gomes Graciosa optou por não suspender os contratos de transporte aéreo, determinando, entretanto, uma auditoria especial para averiguar as condições de contratação, os ajustes nos contratos e a legitimidade do uso das aeronaves do Estado.

A defesa de Cláudio Castro argumenta que todas as viagens realizadas durante sua gestão seguiram as normas legais, critérios técnicos e protocolos de segurança definidos pelo Gabinete de Segurança Institucional. O ex-governador também declarou que os deslocamentos estavam ligados a agendas públicas, incluindo compromissos em Brasília, e que prestará esclarecimentos às autoridades responsáveis no prazo estipulado.


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