O estado do Rio de Janeiro tem potencial para evitar a emissão de cerca de 672 mil toneladas de dióxido de carbono anualmente com a implementação do mercado livre de energia para consumidores residenciais e pequenos comércios, prevista para 2028. O dado apresenta uma projeção de impacto ambiental com base em uma avaliação técnica realizada durante o Energy Summit.
Segundo o estudo, essa expansão do mercado deve colocar o Rio entre as três unidades federais com maior potencial de descarbonização no país. A redução estimada equivale ao plantio de aproximadamente 4,7 milhões de árvores ao longo de uma década. A expectativa é que o perfil de consumo do estado, caracterizado por temperaturas elevadas durante grande parte do ano, contribua para um aumento na demanda por energia, principalmente nos horários de pico, impulsionando a substituição por fontes renováveis e favorecendo a diminuição de emissões.
De acordo com Hudson Mendonça, vice-presidente de Energia da MIT Technology Review Brasil e CEO do Energy Summit, a mudança reflete um efeito claro na matriz energética do Rio. Ele destaca que, ao migrar a carga de climatização residencial para contratos renováveis, há uma oportunidade de utilizar a liberdade de escolha para mitigar os impactos ambientais, especialmente em períodos de maior estresse térmico. Para Mendonça, essa transição indica uma evolução na gestão de energia, passando de uma postura passiva para ações ativas de redução de carbono.
O movimento nesse sentido já começa a ocorrer de forma mais intensa entre empresas menores. Desde o início de 2024, consumidores de média tensão passaram a ter acesso ao mercado livre de energia. Dados da Abraceel e da CCEE indicam que, de 38 mil consumidores ao final de 2023, esse número ultrapassou 90 mil em 2025. Aproximadamente 30 mil pequenas e médias empresas migraram nesse período, principalmente buscando contratos com energia de fontes renováveis.
Essa migração tem contribuído para uma redução estimada de 240 mil toneladas de CO₂ por ano no Brasil, considerando o fator médio de emissão do Sistema Interligado Nacional. Empresas que aderiram ao mercado livre registram benefícios tanto econômicos quanto ambientais. A Voltera, especializada em soluções energéticas, informa que apoiou clientes na transição, gerando uma economia superior a R$ 1,5 milhão e uma redução média de 23% nos custos com energia. Segundo Alan Henn, CEO da companhia, a abertura do mercado representa uma transformação, possibilitando o acesso a energia mais competitiva e limpa também por pequenas empresas.
A ampliação do mercado livre também pode contribuir para reduzir desperdícios no sistema elétrico brasileiro. Nos últimos anos, o país enfrentou recordes de curtailment, fenômeno que ocorre quando a geração de energia instalada, especialmente de fontes eólica e solar, precisa ser interrompida devido à falta de demanda. A análise do Energy Summit aponta que a abertura completa do mercado pode evitar a emissão de até 9,3 milhões de toneladas de CO₂ por ano, consolidando-se como uma das principais estratégias de descarbonização nacional.
O Energy Summit é um evento anual realizado no Rio de Janeiro, organizado em parceria com o MIT, que reúne líderes empresariais, autoridades, pesquisadores e demais profissionais envolvidos na inovação, energia e sustentabilidade. O encontro busca fomentar debates e soluções alinhadas às transformações no setor energético. Mais informações podem ser acessadas no site oficial do evento.
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