Quase uma década após um incêndio de grandes proporções que atingiu o 8º andar do Edifício Jorge Machado Moreira (JMM), na Cidade Universitária, sinais do abandono permanecem evidentes. Apesar de parte do pavimento ter sido recuperada pela gestão atual, uma seção do andar permanece interditada e aguardando obras de reparo. O prédio apresenta ainda fachadas e telhados danificados. A classificação do estado de conservação do JMM, emitida pelo Escritório Técnico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é de “muito ruim”, inserindo a estrutura em uma lista de 12 unidades universitárias em condições críticas similares.
Esse diagnóstico integra o Programa de Avaliação de Reabilitação dos Bens Imóveis (REAB), solicitado pela reitoria e que mapeou 142 edificações da instituição — o equivalente a 90,3% do total. De acordo com o levantamento, há necessidade de um investimento de aproximadamente R$ 1,27 bilhão para recuperar os imóveis. O objetivo é alcançar a totalidade das unidades ainda neste semestre, incluindo construções de grande porte, como o prédio do Centro de Ciências da Saúde (CCS). Os recursos estimados ultrapassam em três vezes o orçamento anual da universidade, que atualmente é de R$ 406 milhões e cobre despesas básicas, como água, energia e segurança.
O estudo classifica as condições das edificações, de “novo” a “muito ruim”, destacando aquelas que apresentam exigências de reparos severos. Em decorrência da gravidade do estado do JMM, a própria reitoria precisou se transferir para uma instalação moderna no Parque Científico. Os espaços que restaram do incêndio foram reaproveitados como ateliês de pintura e desenho na Escola de Belas Artes (EBA), pois o térreo original do curso foi interditado por questões de segurança.
Dentre os imóveis classificados como “muito ruins”, estão unidades localizadas em diferentes campi, como o Instituto de Matemática e o Instituto de Pesquisas Médicas, Psicossociais e Psiquiátricas (IPPMG) na Cidade Universitária, além do Palácio Universitário na Praia Vermelha e o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) no Centro.
Na periferia dos recursos, a universidade busca alternativas para financiar as reformas. No IFCS, por exemplo, que recentemente teve a fachada restaurada com apoio municipal, há necessidade de intervenções internas urgentes. O reitor garantiu o repasse de R$ 6,5 milhões junto ao Ministério da Educação para melhorias na rede elétrica. No entanto, estima-se que os problemas internos demandem um investimento total de R$ 32 milhões, incluindo recuperação hidráulica e estrutural.
Além desses recursos, a universidade conseguiu captar R$ 6,5 milhões por meio de um edital de eficiência energética, para modificar a Faculdade de Letras no Campus do Fundão, tornando-o um modelo de sustentabilidade. Segundo o levantamento do REAB, diversos blocos da faculdade apresentam diferentes níveis de deterioração, incluindo alguns em estado de reparos urgentes.
Estudantes que convivem com as condições precárias dos espaços universitários evidenciam desafios na rotina acadêmica. Alguns mencionam problemas de higiene, falta de infraestrutura básica e ambientes inadequados às atividades de ensino. Apesar das dificuldades, há a expectativa de melhorias, com investimentos planejados e propostas de captação de recursos adicionais, incluindo recursos provenientes de leilões previstos para o fim do ano, como o do pré-sal, que poderiam ser destinados à universidade.
A idade avançada dos prédios constitui outro fator de preocupação, já que a maioria deles possui mais de 40 anos, com alguns construídos entre os anos 1850 e 1960. Edifícios mais recentes, como os do Polo de Macaé, encontram-se em melhores condições, mas muitos dos imóveis históricos enfrentam desafios que demandam elevados investimentos de manutenção.
Em nota, o Ministério da Educação informou que, desde 2023, há ações para recompor o orçamento das universidades federais, após anos de restrições orçamentárias, ressaltando que houve suplementações anuais para fortalecer o funcionamento e a infraestrutura das instituições. Ainda segundo o ministério, cerca de R$ 59,1 milhões foram investidos na UFRJ nos últimos três anos por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A pasta destaca que trabalha na elaboração de estudos para aprimorar o modelo de financiamento, buscando maior previsibilidade e sustentação orçamentária, em diálogo com a comunidade acadêmica e o Congresso Nacional.
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