maio 24, 2026
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24/05/2026

Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras e busca industrializar o setor

As terras raras voltaram ao centro das discussões globais após serem incluídas na pauta do Congresso Nacional e abordadas em conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump. Esses minerais, embora não sejam exatamente “terras”, representam uma categoria de elementos essenciais para o setor tecnológico e para a competição econômica entre grandes potências.

Apesar do nome, as terras raras não são tão escassas na natureza quanto sugere a nomenclatura. Contudo, seu valor estratégico advém de sua aplicação na produção de componentes eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas, chips e equipamentos militares. Especialistas as descrevem como nutrientes vitais da indústria moderna, já que pequenas quantidades desses minerais podem conferir alta eficiência e desempenho aos dispositivos atuais.

O grupo de 17 elementos inclui 15 lantanoides, além do escândio e do ítrio. Todos esses elementos apresentam comportamentos químicos semelhantes, uma característica que dificulta sua separação durante o processamento industrial. A complexidade dessa distinção aumenta os custos e a tecnologia necessárias para sua refinação. Como exemplo, elementos mais pesados e considerados mais valiosos podem atingir preços superiores a US$ 15 mil o quilo.

No mercado internacional, a classificação das jazidas leva em conta não apenas as quantidades de terras raras disponíveis, mas também o tipo de elementar presente. Os chamados minerais leves, como lantânio, cério e neodímio, são mais abundantes, ao passo que os minerais pesados, como disprósio, térbio e lutécio, possuem maior valor estratégico por sua importância para tecnologias mais avançadas e pela dificuldade de isolamento.

A exploração desses minerais levanta importantes preocupações ambientais, especialmente pelas etapas químicas utilizadas na sua refinação. O processo de separação resulta na geração de resíduos radioativos, uso de substâncias tóxicas, além do consumo elevado de água e energia, o que pode causar contaminação e desmatamento. Alguns minerais utilizados nesse procedimento também apresentam conteúdo de tório e urânio, exigindo controle radiológico rigoroso.

O Brasil possui reservas significativas de terras raras, resultado de processos geológicos que ocorreram ao longo de milhões de anos. Regiões como Minas Gerais e Goiás concentram importantes jazidas, particularmente na faixa do Cinturão de Araxá-Catalão, considerada uma das maiores de terras raras pesadas fora da China. Também são exploradas argilas iônicas, cuja facilidade de extração torna o processo mais barato, uma vantagem potencial para o país.

Apesar da riqueza mineral, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para transformar o minério em produtos industrializados. Atualmente, a maior parte do processamento é controlada pela China, que domina cerca de 90% da capacidade mundial. Países como o Brasil concentram sua atuação na extração, enquanto as etapas seguintes, como a purificação e a fabricação de componentes finais, ainda dependem de tecnologia estrangeira.

Essa concentração de processamento na China constitui um fator estratégico na disputa comercial global. Os Estados Unidos buscam estabelecer parcerias com países produtores, como o Brasil, visando diminuir a dependência da China. Como resposta, o governo brasileiro pretende avançar na industrialização, passando do simples exportador de minério para a produção de componentes tecnológicos no próprio país.

Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou com prioridade a criação de uma Política Nacional para a Exploração de Minerais Críticos, incluindo um fundo de até R$ 5 bilhões para incentivar a instalação de indústrias de processamento e tecnologia nacional. A iniciativa busca ampliar a participação do Brasil na cadeia produtiva e diminuir a dependência de tecnologias importadas.


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