Drault Ernanny de Mello e Silva, figura de destaque na história do Rio de Janeiro, foi um empresário, médico e político que marcou seu tempo entre as décadas de 1920 e 1960. Sua trajetória reflete um período de grande efervescência na cidade, que era então centro político, financeiro e cultural do Brasil, acolhendo presidentes, empresários internacionais, artistas e diplomatas.
Nascido na Paraíba em 1905, Drault chegou ao Rio jovem, formando-se em medicina em 1929. Sua atuação inicial esteve ligada à saúde pública, participando de campanhas contra febre amarela ao lado de nomes como Miguel Couto. Além da medicina, diversificou suas atividades ao abrir clínicas e prestar tratamentos modernos, como emagrecimento e cuidados capilares. Além do trabalho na área da saúde, destacou-se também na política, sendo senador e deputado federal pelo PSD da Paraíba, e atuando em debates sobre a exploração de petróleo no Brasil. Sua defesa do controle nacional do setor resultou na articulação que possibilitou a criação da Refinaria de Manguinhos, importante peça na industrialização petrolífera do país.
A narrativa de Drault inclui ainda sua relação com círculos de poder, envolvendo-se em relações próximas a figuras como Assis Chateaubriand, além de assumir uma posição de destaque na luta pela soberania energética do Brasil. Sua presença marcará, sobretudo, a construção de uma residência lendária na vegetação do Alto da Boa Vista, conhecida como Casa das Pedras. A mansão se destacou por sua arquitetura exótica e luxuosa, inspirada na residência de Scarlett O’Hara, que se tornou um centro de encontros diplomáticos e políticos durante a Guerra Fria. Entre os visitantes históricos, conta-se o cosmonauta soviético Iuri Gagarin, que se alojou lá na década de 1960, além de outros nomes de destaque internacional.
A propriedade possuía detalhes exuberantes, com decoração sofisticada, obras de arte de renomados artistas e uma atmosfera de exclusividade. Sua importância transcendia a residência, funcionando como espaço de poder discreto, onde se realizavam reuniões estratégicas e encontros de altos líderes políticos e empresariais. Este cenário ajudou a consolidar o papel de Drault no cenário político e social do Rio.
A influência de Drault Ernanny se estendeu também ao esporte, tendo seu imóvel sido utilizado por figuras como o técnico da seleção brasileira na volta da Copa de 1950. Sua relação com o Rio refletia uma ambição de modernizar e valorizar a cidade, contribuindo para o desenvolvimento de obras emblemáticas e da infraestrutura urbana da época, como o aterro do Flamengo, a Avenida Atlântica e a urbanização de áreas como Urca e Jardim de Alah.
Com a sua morte em 2002, a figura de Drault Ernanny tornou-se parte de uma narrativa quase cinematográfica, remanescente de um Rio de grandeza e glamour do século XX. Seu legado permanece vivo em histórias, registros e em uma cidade que, embora mudada, conserva no imaginário uma lembrança de uma época marcada pela audácia e pelo sonho de grandeza. Para quem deseja conhecer mais a fundo sua trajetória, estão disponíveis obras autobiográficas e publicações que abordam sua visão de soberania energética e sua participação na política brasileira.
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