Um projeto voltado ao apoio de pessoas em situação de rua realiza encontros semanais na Rua do Senado, no Centro do Rio de Janeiro. Este espaço, reconhecido como uma das ruas mais “descoladas” do mundo pela revista Time Out em 2025, serve de cenário para atividades culturais e de convivência promovidas pelo programa Recomeçar é Possível (RéP). A iniciativa é conduzida pelo People’s Palace Projects do Brasil e pelo Instituto LAR, em parceria com a Petrobras, concentrando esforços na região central e na Lapa.
O projeto oferece diversas ações que abrangem desde o acesso a documentação e serviços sociais até oportunidades de geração de renda. Nos primeiros meses, uma parte significativa dos participantes integrou grupos de arteterapia e corais, realizados na sede do Instituto LAR. Cada grupo, composto por cerca de 20 pessoas, tem ciclos de três meses de duração, com encontros liderados pela arteterapeuta Regina Teixeira e pelo regente Ricardo Branco. Parte dos envolvidos chega por indicação de participantes já registrados nas atividades.
De acordo com a coordenação, a comunicação informal estabelecida na rua tem um papel importante na adesão ao programa. As atividades de arteterapia envolvem desenho, pintura, escrita e diálogo, buscando criar um ambiente de suporte contínuo para a expressão pessoal e o desenvolvimento de autoconfiança. Regina Teixeira destaca que mudanças podem levar tempo, citando exemplos de jovens que, ao participarem do projeto, retomaram estudos e conquistaram oportunidades profissionais.
O Coral RéP, por sua vez, utiliza a música como instrumento de inclusão social. Os integrantes exercitam a voz, participam de ensaios em grupo e constroem repertórios colaborativos, com foco na disciplina e na convivência em comunidade. Ricardo Branco reforça a importância da constância, em relação à qual enfatiza o compromisso do grupo em manter sua presença nas atividades. O coral, criado em dezembro de 2025, prepara-se para sua primeira apresentação pública prevista para o segundo semestre.
Um dos principais desafios enfrentados pela equipe é garantir a continuidade da participação, promovendo um ambiente acolhedor que favoreça o fortalecimento emocional dos participantes. Regina Teixeira explica que a relação de confiança é essencial para que exprimam suas emoções e potencialidades. Ricardo acrescenta que, diante de dificuldades diárias, o papel da equipe é atuar como um ponto de referência positiva, ajudando os envolvidos a enxergar possibilidades de mudança.
Previsto até 2028, o RéP visa atender cerca de 1.550 pessoas em situação de vulnerabilidade extrema, incluindo participantes regulares e ocasionais. Contudo, a demanda na cidade é maior, com dados recentes indicando que mais de 1.500 indivíduos vivem nas ruas na região Centro-Lapa, além de bairros como Botafogo e Copacabana. Segundo Ana Paula Rios, a transformação social nesse contexto demanda tempo e trabalho contínuo. As atividades do Instituto LAR persistem semana após semana, com o compromisso estabelecido para cada participante. O programa continua a atuar na Rua do Senado, nº 200, sala 202, no centro do Rio.
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