Nesta terça-feira (26), a Polícia Federal realizou a 8ª fase da Operação Compliance Zero, direcionada ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A ação investigativa busca apurar possíveis crimes financeiros relacionados ao Banco Master, de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro. Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência do ex-governador, localizada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Não há, até o momento, pedido de prisão contra Castro.
A investigação aponta que aproximadamente R$ 3 bilhões do dinheiro público do estado do Rio de Janeiro podem ter sido movimentados indevidamente por meio do grupo financeiro de Vorcaro. Esses recursos seriam provenientes do Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões para cerca de 235 mil beneficiários estaduais. A operação envolveu dez mandados de busca e apreensão, cumpridos no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A defesa de Cláudio Castro declarou à TV Globo que o ex-governador acompanha as ações com tranquilidade. Essa foi a segunda ação de busca e apreensão contra o ex-governador nas últimas duas semanas. No dia 15, uma operação anterior também esteve relacionada a investigações envolvendo a antiga Refinaria de Manguinhos, conhecida como Refit, na qual Castro foi alvo. Na ocasião, o ex-governador afirmou estar “à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos” e que acredita na “lisura” de seus atos durante seu governo.
As investigações derivam da Operação Barco de Papel, ocorrida em janeiro deste ano, que revelou aplicações suspeitas do Rioprevidência no Banco Master, totalizando R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024. Como consequência, Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do fundo previdenciário, foi preso em fevereiro após uma ação conjunta da PF e PRF na região Sul Fluminense.
A nova fase da operação também apura aportes feitos a partir de julho de 2024, estimados em cerca de R$ 2,01 bilhões, destinados a fundos de investimento associados ao Banco Master. Assim, o total de recursos públicos envolvidos pelo menos desde o início das investigações aproxima-se de R$ 3 bilhões.
Na esfera parlamentar, o deputado estadual Flávio Serafini, do PSOL, anunciou que conseguiu reunir as assinaturas necessárias para solicitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A proposta visa investigar os investimentos realizados pelo estado no Banco Master. Embora a solicitação tenha sido feita, ainda aguarda a instalação formal.
Dados do estudo na Alerj revelam que o Rioprevidência aplicou quase R$ 1 bilhão diretamente na instituição financeira e mais R$ 1,6 bilhão em fundos gerenciados pelo banco. Parlamentares também destacam que parte dessas aplicações ocorreu mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, que chegou a recomendar a suspensão de novos aportes ao banco pelo fundo previdenciário. Além do setor público, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) também efetuou investimentos de aproximadamente R$ 200 milhões na mesma instituição financeira.
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