Na manhã desta quarta-feira, a circulação de pelo menos nove linhas de ônibus no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo, foi suspensa devido à morte de dois pedreiros durante uma operação policial e aos protestos de moradores na BR-101. A decisão partiu da Polícia Militar, com monitoramento da Secretaria de Transportes, e não há previsão de retomada do serviço.
As linhas afetadas incluem os trajetos Jardim Catarina com Covanca, Santa Luzia com Venda da Cruz, Alcântara e Maria Paula, além de vias que passam por Santa Luzia e Dalva Raposo. Como medida de segurança, as aulas nas escolas municipais Umei Augusto de Freitas Lessa, Umei Manoel de Souza, Escola Municipal Anísio Spinola Teixeira, Escola Municipal Professora Aida Vieira e no CIEP 051 foram suspensas nesta data.
A violência resultou na morte de Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46. Familiares relataram que ambos eram trabalhadores da construção civil, portando ferramentas e marmitas, e seguiam em uma motocicleta rumo a uma obra na comunidade Ipuca quando foram atingidos por disparos. Eles não resistiram aos ferimentos e morreram no local.
A Polícia Militar declarou que instaurou procedimento para apurar as circunstâncias do ocorrido, que aconteceu durante uma operação de apoio a uma empresa de telefonia na região. Segundo informações policiais, a operação teve como objetivo auxiliar os trabalhos de uma companhia de telecomunicações na área.
Na parte da manhã, moradores promoveram manifestação na BR-101, movimento que resultou na queima de pneus e na parcial interrupção do trânsito na via ao norte do município. O ato foi motivado pelo clamor por justiça em relação às mortes ocorridas.
Por volta das 12h, uma nova manifestação foi registrada, com ativistas colocarem pedaços de madeira na pista. Nesse momento, um ônibus da linha 413, que seguia em direção a Niterói, foi parado pelos responsáveis pelo protesto, que removeram sua chave de ignição e fugiram. Até o início da tarde, a chave reserva ainda não tinha sido localizada, impedindo a liberação do veículo.
A concessionária responsável pela estrada, Arteris Fluminense, informou que a faixa do sentido Rio de Janeiro permanece bloqueada, enquanto o trânsito na região mantém-se muito carregado. As autoridades de segurança continuam apurando as circunstâncias do episódio, com as armas dos agentes envolvidos sendo recolhidas para análise balística, e as imagens das câmeras corporais já solicitadas.
A investigação do caso fica a cargo da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), que está ouvindo policiais militares e testemunhas. Os corpos de Marcelo e Edivan foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) para perícia, e a polícia realiza diligências para esclarecer a origem dos disparos.
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro acompanha o caso de perto. Segundo a entidade, os trabalhadores foram confundidos com criminosos enquanto carregavam ferramentas e marmitas, fato que gerou grande preocupação. A deputada Dani Monteiro ressaltou a necessidade de investigação rigorosa e divulgação das imagens das câmeras. A comissão se colocou à disposição das famílias e acompanha de perto as providências e esclarecimentos que estão sendo feitos pelas autoridades.
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