Ativistas e representantes da sociedade civil realizaram nesta sexta-feira (29) uma manifestação em defesa do espaço conhecido como Buraco do Lume, após a Justiça revogar liminar que suspendia a licença de construção do empreendimento Connect Square na região. O movimento foi organizado em resposta à decretação de início das obras de corte de árvores, ocorrida um dia antes, no dia 28.
A decisão judicial recente permitiu a continuidade da obra, autorizando o corte de 58 arbres para a implantação de um edifício residencial de alto padrão, que contempla o projeto do empreendimento. No dia anterior, a construtora responsável, Patrimar, colocou uma placa no local informando sobre medidas ambientais de compensação, mas passou a desmatar a área na sequência.
O deputado federal Chico Alencar (PSOL), líder do grupo ‘Lume quer Viver’, expressou sua preocupação e anunciou a convocação pública, destacando que, apesar da tentativa de recorrer à Justiça, a perda das árvores não pode ser revertida. Ele afirmou que o movimento segue buscando outras instâncias judiciais, mas reforçou a necessidade de resistência contra a destruição do espaço.
Segundo Emanuel Alencar, jornalista, engenheiro ambiental e colunista do DIÁRIO DO RIO, as ações da Prefeitura de transformar a área refletem uma falsa tentativa de compensação ecológica. Ele destaca que as árvores estão sendo cortadas sem garantias de reposição efetiva e que as mudas utilizadas para reflorestamento ainda não são originadas do próprio município. Além disso, aponta para a ausência de um orçamento voltado à arborização urbana, agravando a situação ambiental da cidade.
O projeto Connect Square faz parte do programa Reviver Centro, planejado para oferecer moradias compactas voltadas a usuários de transporte público, com unidades de estúdio e apartamentos de dois quartos, além de lojas comerciais no térreo. O empreendimento também contará com áreas de lazer, como academia, bicicletário e um terraço com piscina de vista para a Baía de Guanabara. A torre, que ocupará uma área de pouco mais de 2,5 mil metros quadrados de um terreno de aproximadamente 6 mil metros quadrados, é alvo de controvérsia devido às tensões envolvendo sua instalação na região.
Atualmente, a situação permanece em estágio de mobilização, com os manifestantes aguardando desdobramentos das decisões judiciais e possíveis ações de proteção ao espaço.
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