junho 1, 2026
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01/06/2026

Protestos e incidentes marcam início da cobrança da Taxa de Turismo Sustentável em Ilha Grande

Na manhã desta segunda-feira, Angra dos Reis conheceu seu primeiro dia de implementação da Taxa de Turismo Sustentável (TTS), marcada por manifestações na Ilha Grande. Os protestos, concentrados na Vila do Abraão — principal ponto de chegada de visitantes — envolveram o bloqueio de embarcações na entrada do cais, impedindo passagens de flexboats e outros meios de transporte turístico. Apesar da resistência, a administração municipal confirma que a cobrança permanece normalmente vigente.

A ação, que afetou especialmente os trajetos de navegação entre municípios vizinhos, como Conceição de Jacareí, em Mangaratiba, e a Ilha Grande, gerou impacto direto na circulação de embarcações de menor porte. Por outro lado, o serviço de barcas regulares, operado entre Angra e a ilha, seguiu seu ritmo habitual, sem alterações de operação. Os manifestantes alegam que o objetivo da mobilização foi impedir a cobrança da taxa sobre passageiros que desembarcam na região.

Antes do início da implementação, a cobrança foi alvo de vandalismo. Na madrugada, homens encapuzados incendiaram totens instalados na área do cais, em uma ação que resultou na destruição dos equipamentos. Testemunhas indicam que os indivíduos usaram objetos possivelmente de pedra e um galão com combustível para iniciar o incêndio. O Corpo de Bombeiros foi acionado e controlou as chamas, sem registros de feridos, embora o espaço tenha amanhecido coberto por lonas. A prefeitura classificou a ocorrência como criminosa e informou que investiga o caso em colaboração com a Polícia Civil, que analisa imagens de câmeras de segurança e realiza perícia na cena.

Durante o dia, a manifestação na Vila do Abraão reuniu embarcações, faixas e cartazes contra a cobrança. A mobilização resultou em bloqueio parcial na entrada da ilha, afetando o fluxo de turistas na região. Houve momentos de tensão, inclusive uma confusão envolvendo uma embarcação e a chegada de policiais, com relatos de disparos de fogos de artifício por parte dos manifestantes na presença da força pública. Testemunhas também indicam um indivíduo sendo contido por outro durante uma discussa.

A TTS foi criada pela prefeitura para regulamentar a entrada e visita às ilhas do município, mediante cobrança variável que considera o tipo de acesso e o período de permanência. O valor padrão para quem desembarca na cidade ou na ilha é de aproximadamente R$ 49,60 por até 24 horas, além de uma taxa adicional de 12% sobre o valor total. Passageiros provenientes de municípios vizinhos podem pagar valores superiores, que chegam a cerca de R$ 50 ou R$ 100, dependendo de comprovação de hospedagem regularizada.

O pagamento deve ser realizado por meio do portal oficial, onde o visitante realiza o cadastro, indica o tipo de visita, gera o voucher e realiza o pagamento via QR Code. Totens de autoatendimento também estão disponíveis nos pontos de desembarque. Moradores, trabalhadores locais e prestadores de serviço podem solicitar uma carteira com foto para desembarque ou circulação autorizada, mediante apresentação de documentos e comprovação de residência ou vínculo com o município. Pessoas com deficiência, idosos (a partir de 60 anos) e crianças até 12 anos têm direito à isenção.

A implantação da taxa enfrenta resistência por parte de moradores, operadores turísticos e trabalhadores locais, que apontam para os custos elevados de transporte e infraestrutura problemática na região. Especialistas do setor afirmam que a cobrança, associada a desafios como saneamento e iluminação pública, pode limitar ainda mais o fluxo de visitantes. Apesar das manifestações e dos episódios de vandalismo, a administração municipal garante que o sistema de arrecadação permanece em funcionamento regular.


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