julho 28, 2026
julho 28, 2026
28/07/2026

Lançamento do livro destaca o ativismo negro e a trajetória de Candeia no samba—Brasil

Na próxima semana, será inaugurado um novo livro dedicado ao ativismo negro e à história do samba no Brasil, reunindo documentações inéditas, acervos pessoais de ativistas e entrevistas exclusivas com figuras destacadas do movimento negro e da música popular. O lançamento acontecerá em eventos na capital carioca e em São Paulo, oferecendo sessões de autógrafos e atividades culturais diversas.

A obra explora a trajetória de Antônio Candeia Filho, um dos principais nomes do samba carioca e fundador do Grêmio Recreativo de Arte Negra Quilombo. Com prefácio de Muniz Sodré e orelha de Luiz Antônio Simas, o livro apresenta uma análise aprofundada do papel político do samba e do movimento Afro-Brasileiro na década de 1970. A pesquisa que fundamenta o trabalho envolveu quinze anos de investigação em arquivos e estudos de campo, incluindo documentos policiais anteriormente classificados e entrevistas com artistas e ativistas, além de acervos de jornais e revistas da época.

No centro do estudo está o Quilombo, uma escola de samba fundada por Candeia em 1975, que se diferenciava das tradicionais por sua autonomia financeira, atividades culturais e seu caráter de espaço de resistência e reflexão sobre a cultura negra. Durante a ditadura militar, o grupo utilizou o partido-alto e outras formas de expressão artística como instrumentos de manifestação política e de conscientização, confrontando o discurso oficial que buscava transformar o samba em mero espetáculo.

O livro também dedica atenção às opiniões de figuras como Martinho da Vila, Dona Ivone Lara, e outros nomes do cenário musical e ativista, que contribuem para compreender as múltiplas facetas desse ativismo. A narrativa revela as contradições internas, debates sobre a identidade negra, desigualdades sociais e o impacto do movimento Black Rio na sua época.

Reconhecido por sua riqueza de fontes e complexidade de abordagem, o autor enfatiza a importância de entender o samba como mais do que um gênero musical: uma forma de organização social e resistência cultural, além de um espaço de diálogo e afirmação identitária.

O próximo ciclo de eventos de lançamento inclui sessões de autógrafos e debates em livrarias no Rio de Janeiro e em São Paulo, marcando o início das distribuições da obra que promete contribuir para o entendimento do papel do samba na luta por dignidade e reconhecimento da cultura negra no Brasil.


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