Nesta quinta-feira, 4 de maio, celebra-se o Corpus Christi, uma das principais datas do calendário religioso católico, com origem histórica que remonta ao século XIII. A data, vinculada ao calendário pascal, ocorre na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade, representando uma alusão à Última Ceia, originalmente celebrada na Quinta-Feira Santa. O festejo possui raízes europeias e presença consolidada no Brasil desde o período colonial.
A tradição do Corpus Christi teve início na região de Liège, atualmente na Bélgica, impulsionada pela freira agostiniana Juliana de Cornillon. Na Idade Média, ela relatou ter tido visões místicas que indicavam a necessidade de uma celebração anual dedicada ao sacramento da Eucaristia, que simboliza o corpo e o sangue de Jesus Cristo. A data foi oficializada pelo papado em 1264, por meio da bula papal “Transiturus de hoc mundo”, de autoria do Papa Urbano IV, que havia atuado em Liège e conhecia os relatos de Juliana.
O pontífice agiu após o episódio conhecido como “Milagre de Bolsena”, ocorrido em 1263 na Itália, quando um sacerdote supostamente testemunhou sangramento de uma hóstia consagrada durante uma missa. A partir de então, São Tomás de Aquino foi incumbido de criar o ofício litúrgico oficial, incluindo hinos e preces que permanecem na tradição católica até hoje. A celebração passou a ser amplamente difundida na Europa ao longo do século XIV, com o reforço de públicos papais subsequentes.
No Brasil, o costume de promover procissões públicas com destaque para os tapetes de sal, serragem e borra de café foi introduzido pelos portugueses, nascido na Ilha dos Açores. Essas festividades representam uma tradição cultural que integra elementos religiosos, artísticos e comunitários, sobretudo em cidades do leste fluminense, como Niterói e São Gonçalo. Os tapetes, desenhados com materiais diversos, cobrem as vias por onde passa a procissão, simbolizando o percurso do Santíssimo Sacramento.
Recentemente, Niterói sancionou uma lei que institui o Corpus Christi como feriado municipal, encerrando debates persistentes no estado do Rio de Janeiro e no país. A medida foi proposta pelo próprio governo local e entrou em vigor na base da administração municipal. A data, no entanto, ainda não é feriado nacional, embora seja reconhecida como ponto de celebração em diferentes municípios brasileiros.
Em São Gonçalo, o evento principal ocorre na manhã desta quinta-feira, na região central, com expectativa de atrair cerca de 120 mil fiéis ao longo do dia. A programação inclui a confecção de 236 tapetes ao longo de avenidas principais, além de louvores, orações e a missa presidida pelo arcebispo auxiliar. Encerrando a celebração, acontece a procissão ao longo dos tapetes, que será acompanhada por autoridades religiosas e comunitárias.
Para o dia, há um planejamento de ações no trânsito, com interdições nas principais vias próximas às áreas do evento. Diversas ruas estarão fechadas desde cedo, incluindo trechos das avenidas Coronel Moreira César, Professora Lara Vilela e outras vias adjacentes. Serão implantadas mudanças no fluxo de veículos, com rotas alternativas e pontos de ônibus provisórios. A operação de trânsito prevê também a instalação de faixas reversíveis e a proibição de estacionamento nas ruas afetadas, visando garantir a segurança e a mobilidade durante as celebrações.
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