Em 1937, uma carta enviada a Getúlio Vargas por um morador de Maricá foi decisiva para a nomeação de Orlando de Barros Pimentel à prefeitura do município. O documento, elaborado por Jovino Duarte de Oliveira, desempenhou papel central na escolha do sanitarista, que se tornaria o primeiro e até hoje único prefeito negro na história local.
O contexto político da época começou a se moldar alguns anos antes, após Vargas assumir o comando do Brasil em 1930. O período marcou o enfraquecimento das oligarquias rurais tradicionais, abrindo espaço para novas lideranças em várias regiões, incluindo Maricá. Nesse cenário, em 1934, o governo federal intensificou ações para combater doenças como febre amarela, hanseníase, malária e tuberculose. Orlando de Barros Pimentel, médico sanitarista, chegou ao município para atuar na saúde pública, conquistando rapidamente a confiança da comunidade. Sua atuação também contribuiu para a instalação do Hospital Conde Modesto Leal, reforçando sua posição de liderança local.
Jovino Duarte de Oliveira, então colecionador de impostos e uma figura influente na cidade, foi um dos principais apoiadores do sanitarista. Conhecido por seu interesse em tecnologia, Jovino foi um dos primeiros residentes de Maricá a possuir rádio e, posteriormente, teve papel na projeção de filmes no antigo Cine Maricá. Em 1937, ele enviou uma correspondência ao presidente, sugerindo a troca do prefeito da época, Gabriel Henrique de Farias, por Orlando de Barros Pimentel. De acordo com registros históricos, a sugestão foi acolhida pelo governo federal, resultando na nomeação do sanitarista como interventor do município.
Essa transição marcou uma fase de profundas mudanças administrativas e urbanísticas em Maricá. Além dos avanços na estrutura e gestão da cidade, a nomeação de Orlando de Barros Pimentel simbolizou um marco na história local, uma vez que ele se tornou o primeiro, e até hoje único, gestor negro na história do município.
Ao longo de seus mandatos, que ocorreram entre 1937 e 1945, de 1947 a 1950 e de 1955 a 1958, Orlando esteve presente em processos de modernização e desenvolvimento de Maricá, deixando um legado importante. Sua trajetória continua sendo objeto de estudos, que reforçam o episódio da carta como um momento decisivo na construção da memória política do município.
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