Uma análise realizada pela Universidade Federal Fluminense revelou uma relação direta entre o aumento da imunização e a significativa redução na mortalidade infantil por doenças infecciosas evitáveis. O estudo baseou-se em registros de internações pediátricas no Hospital Universitário Antônio Pedro, de Niterói, cobrindo um período de 60 anos. Os dados indicam que mais de 86% dos óbitos por patologias imunopreveníveis ocorreram entre 1965 e 1985, antes da ampla implementação do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
O trabalho publicou na revista internacional Acta Tropica examinou detalhadamente 3.968 casos de internações entre crianças de zero a 10 anos, incluindo diagnósticos como tétano, sarampo, difteria, meningite, coqueluche e poliomielite. No total, foram registrados 779 óbitos durante o período analisado. Após o fortalecimento do calendário vacinal, houve uma redução expressiva nas mortes por essas doenças, chegando a mínimas próximas de zero em alguns casos.
A pesquisa foi conduzida por uma equipe do Serviço de Doenças Infectoparasitárias do HUAP, em parceria com a Faculdade de Medicina da UFF. Liderada pela médica Patrícia Yvonne Maciel Pinheiro e pelo professor Ezequias Batista Martins, a equipe revisou prontuários antigos, fichas clínicas e relatórios hospitalares, migrando esses registros manuscritos para uma base de dados digital. Essa abordagem permitiu uma análise detalhada do impacto do programa de imunizações ao longo do tempo.
Os indicadores revelam que a letalidade era especialmente alta nos primeiros meses de vida. Entre lactentes até 1 ano, a taxa de mortalidade chegou a 28,89%. As principais causas de óbito nesta faixa etária foram tétano e meningoencefalite, responsáveis por mais da metade dos falecimentos, principalmente em recém-nascidos e bebês. Os autores reforçam que o aumento da cobertura vacinal contribuiu de forma decisiva para a diminuição dessas mortes.
A divulgação ocorre na proximidade do Dia Nacional da Imunização, comemorado em 9 de junho. Os pesquisadores destacam a importância de relembrar o impacto positivo das campanhas de vacinação e alertam para o risco de retrocessos. Com o retorno de doenças como o sarampo em alguns locais, reforçam o valor da imunização como uma conquista que precisa ser preservada. Segundo Patrícia Pinheiro, a suspensão das vacinações ameaça desfazer décadas de proteção coletiva.
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