Nas redes sociais, o uso de gírias entre os jovens reflete uma evolução na linguagem e na cultura digital, promovendo mecanismos de identidade e pertencimento. Termos como “delulu”, “farmar aura”, “tankar” e “cringe” representam conceitos comuns no cotidiano de adolescentes e jovens adultos, sobretudo das gerações Z e Alpha, que nasceram entre 1995 e 2011. Essas expressões, embora possam parecer modismos passageiros, funcionam como códigos culturais presentes em memes, vídeos curtos, comunidades online e plataformas de trocas de mensagens, diversas vezes cruzando idiomas e plataformas.
Especialistas destacam que essas gírias entregam mais do que simples tendências linguísticas. Elas representam formas de comunicação capazes de contextualizar comportamentos, valores e a própria identidade digital. Segundo um professor de habilidades digitais, o entendimento dessas palavras é fundamental para discutir temas como cidadania digital, respeito e responsabilidade na internet. Quando usadas de maneira adequada, podem facilitar o diálogo entre diferentes faixas etárias, promovendo uma compreensão maior sobre o fenômeno da comunicação digital, que influencia tanto aproximações quanto conflitos.
Para docentes de educação, dinamizar esse tema pode abrir espaço para reflexões sobre o impacto das redes sociais na construção de linguagem e cultura. Assim como no passado, com os emoticons e o “internetês”, as gírias atuais cumprem papel de simbolizar pertencimento geracional. A evolução linguística é vista como um processo natural e dinâmico, que evidencia a criatividade, o contexto cultural e as formas legítimas de expressão dos jovens, muitas vezes incorporando termos que, outrora, eram considerados estranhos ou estranhares.
A compreensão do universo linguístico adolescente também pode ser uma ferramenta para o fortalecimento de vínculos familiares e a redução de conflitos geracionais. Inclusão, interesse e diálogo sobre essas expressões permitem que adultos estabeleçam pontes relevantes na comunicação, valorizando a linguagem como expressão de afetividade e identidade. Assim, a utilização dessas gírias deixa de ser mero alienação e passa a atuar como instrumento de reconhecimento cultural dentro do universo jovem.
Algumas dessas expressões ganham destaque por seu uso frequente: “10/10”, indicando algo excelente; “aesthetic”, relacionado a estética visual harmoniosa; ou “cringe”, que designa algo vergonhoso ou fora de contexto. Outros exemplos incluem “farmar aura”, que trata de construir uma boa imagem social, e “baddie”, referindo-se a alguém extremamente estilosa ou confiante. Termos como “brainrot” indicam obsessões exageradas por certos temas; “catfish” descreve indivíduos com identidade falsa na internet; e “flop” refere-se a algo que não obteve sucesso ou impacto. Essas expressões refletem modos de comunicação que se consolidaram na cultura digital, muitas vezes referenciados e debatidos pelos próprios jovens em diferentes plataformas.
Atualmente, a linguagem juvenil evolui rapidamente, acompanhando as transformações tecnológicas e culturais. No cenário educacional e familiar, a tendência é que essa fluidez seja compreendida como parte do processo de desenvolvimento da comunicação e do comportamento social. Assim, o entendimento e o diálogo aberto permanecem pontos centrais para uma relação mais equilibrada entre gerações, com reconhecimento do valor dessas novas maneiras de expressão.
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