O ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, determinou na segunda-feira (8) a interrupção imediata da divulgação de uma pesquisa eleitoral do AtlasIntel que indicava uma queda de cinco pontos nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL). Na decisão, o magistrado afirmou que os resultados estavam “contaminados” por elementos que comprometeriam sua integridade.
A medida foi tomada após solicitação do Partido Liberal (PL), que alegou que a pesquisa apresentava perguntas tendenciosas. Segundo o partido, essas indagações teriam relação com um áudio vazado envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, o que levantou suspeitas sobre possíveis influências na condução do levantamento.
Na análise do ministro, foram identificados aspectos na pesquisa que reforçam as alegações do PL. Ele destacou que as perguntas, especialmente aquelas relacionadas ao áudio vazado, puderam distorcer os resultados. Além disso, Nunes Marques trouxe à tona uma entrevista de maio passado do CEO do AtlasIntel, na qual teria sido reconhecido um viés político na condução do estudo.
Para fundamentar sua decisão, o ministro comparou a pesquisa suspensa com outros 27 levantamentos realizados pela mesma companhia, que seguiram padrões tradicionais de questionamento e conteúdo. Com isso, determinou a proibição de qualquer divulgação, impulsionamento pago e republicação por terceiros, além de ordenar que os canais digitais oficiais do instituto retirem os dados relacionados.
A autoridade também requisitou, com urgência, que a empresa apresente documentação técnica detalhada para justificar a metodologia adotada e a inclusão dos áudios do senador do PL na pesquisa, com argumentos específicos para essa utilização.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



