Uma pesquisa recente divulgada nesta quarta-feira revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança nas intenções de voto para uma possível segunda rodada, com 44% das preferências, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) figura com 38%. Os números indicam uma aproximação significativa entre os candidatos, sem evidências de empate técnico.
Desde março, a disputa tem apresentado oscilações menores, com Lula caminhando de 42% para 44%, enquanto Flávio passou de 41% para 38%. O levantamento também aponta que, atualmente, Lula possui uma vantagem de seis pontos percentuais sobre Bolsonaro, uma redução em relação a meses anteriores. Em maio, a distância era de dois pontos, e a partir de dezembro, após o anúncio da candidatura de Flávio, esta vantagem chegou a 10 pontos.
O levantamento constitui a primeira pesquisa da Quaest a abordar influências de eventos recentes na preferência dos eleitores, incluindo conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de ações internacionais, como medidas do governo Trump contra produtos brasileiros e a classificação das facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas. O universo consultado corresponde a um terço do eleitorado que pode decidir o pleito, excluindo aqueles que se identificam como independentes ou de outras orientações.
A análise também mostra uma leve melhora na percepção do governo, atribuída às ações recentes, entre elas a implementação de medidas econômicas e a criação de programas de auxílio às famílias endividadas. Segundo o diretor da pesquisa, Felipe Nunes, houve uma redução na aprovação de Flávio entre o segmento de eleitores de direita não bolsonarista, que atingiu 82% das intenções de voto atualmente, ante 90% em abril.
Sobre o caso envolvendo o Banco Master, a pesquisa indica que a maioria dos entrevistados acredita que Flávio Bolsonaro errou ao solicitar dinheiro ao banqueiro para pagar um filme sobre Jair Bolsonaro, além de suspeitarem de alguma ligação ilegal entre o senador e a instituição financeira. Ainda, uma parcela considerável acha que o filho do ex-presidente teria conhecimento de possíveis irregularidades envolvendo Vorcaro.
No âmbito internacional, os respondentes estão divididos quanto às ações de Trump relacionadas à classificação de organizações criminosas como terroristas e às tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil. Aproximadamente metade dos entrevistados apoia medidas como a classificação de facções como terroristas, enquanto um pouco mais da metade acredita que tais ações prejudicam empresas e bancos brasileiros.
O estudo também trouxe simulações de segundo turno contra candidatos como Renan Santos, do MBL, Romeu Zema, do Novo, e Ronaldo Caiado, do PSD. Os cenários demonstram estabilidade na preferência por Lula, com variações menores, enquanto o desempenho de adversários varia entre 31% e 35%. O levantamento foi realizado com 2.004 pessoas, entre 5 e 8 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Por fim, o momento atual da pesquisa aponta para uma fase de maior competitividade na corrida presidencial, mantendo o cenário de indecisos e votos brancos ou nulos em patamares semelhantes às pesquisas anteriores. Os próximos meses deverão indicar se essa tendência de aproximação resultará em uma disputa mais acirrada até o dia da votação.
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