No último dia 11, o Teatro TotalEnergies, na Sala Adolpho Bloch, realizou uma pré-estreia do espetáculo teatral “Dois Papas”, que atraiu uma audiência de aproximadamente 25 mil espectadores. Além de artistas convidados como Larissa Maciel, Paloma Bernardi, Marcos Breda, Lorena Lima, Marcos Caruso e Emiliano D’Ávila, atores de destaque na produção, como Zécarlos Machado e Celso Frateschi, também participaram do evento. A peça, que conta com a interpretação de Frateschi como o Papa Bento XVI e de Zécarlos como o Cardeal Jorge Bergoglio — futuro Papa Francisco —, estreou oficialmente ao público na manhã seguinte, dia 12.
O ator Celso Frateschi comenta diferenças entre a adaptação cinematográfica e a versão teatral de “Dois Papas”. Segundo ele, a peça incorpora elementos que dão mais espaço ao ponto de vista feminino, apresentando personagens como uma admiradora de Bento XVI e uma jovem argentina impressionada com ele. Além disso, há a inclusão de um personagem que remete a Ratzinger como um ex-nazista de direita que, em um momento, demonstra sensibilidade ao assistir a uma televisão e se emociona com um cachorro.
Já Zécarlos Machado explica o processo de construção do personagem do Papa Bento XVI, destacando uma abordagem mais humanizada. Ele ressalta que, apesar do conservadorismo natural do personagem, a peça aprofunda sua personalidade, levando em conta sua trajetória, incluindo seu vínculo com o Papa João Paulo II e sua postura diante das mudanças na Igreja. Segundo o ator, a renúncia de Ratzinger foi um ato de reconhecimento da necessidade de transformação, abrindo espaço para a chegada de Francisco e colaborando para sua mudança de postura.
O quanto o personagem de Ratzinger se aproxima de uma figura mais moderna foi também destacado por Machado, que afirma que sua decisão de deixar o pontificado refletiu uma busca por liberdade de expressão e uma compreensão da importância das mudanças internas na Igreja. Até o momento, o espetáculo continua em cartaz até 5 de julho, prometendo sequências de apresentações semanais, com sessões às sextas e sábados às 20h e domingos às 17h.
A produção, dirigida por Munir Kanaan, é uma adaptação do texto de Anthony McCarten, já protagonizado por atores como Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, e que também integrou o elenco do filme lançado na Netflix, dirigido por Fernando Meirelles. A narrativa retrata uma reunião imaginária entre Bergoglio e Bento XVI, enquanto o então futuro Papa Francisco decide pedir aposentadoria, culminando em um diálogo repleto de tensões, respeito e humor — refletindo diferentes visões e personalidades desses líderes religiosos.
O cenário, uma instalação cênica de elementos visuais, utiliza projeções, objetos e iluminação para transformar o ambiente de acordo com a cena, incluindo conteúdos documentais que enriquecem a experiência estética. A peça também conta com participação das atrizes Carol Godoy e Eliana Guttman, que interpretam personagens femininas próximas aos protagonistas, reforçando a complexidade do relacionamento e do contexto histórico em questão.
“Dois Papas” permanece em cartaz até 5 de julho, com ingressos vendidos por valores de R$150 (inteira) e R$75 (meia). A montagem é acessível, oferecendo recursos de comunicação em Libras e audiodescrição. A produção tem direção, dramaturgia e coordenação artística de Munir Kanaan, e a equipe técnica inclui profissionais responsáveis por cenografia, figurino, trilha sonora e vídeo mapping, entre outros.
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