No último domingo, um grupo de voluntários e brigadistas iniciou uma ação de reflorestamento no Morro do Anhanguera, área que teve parte de sua vegetação nativa destruída por um incêndio no final de abril. A região, que há mais de uma década permanecia livre de queimadas, passou por um episódio que causou a perda de cerca de 24 mil metros quadrados de vegetação, equivalente a mais de três campos de futebol.
Segundo Bruno Lintomen, coordenador da Brigada de Incêndio do Parque Nacional da Tijuca (PNT) e especialista do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o local está em processo de regeneração natural. O esforço recente representa uma tentativa de acelerar o retorno da Mata Atlântica, que já vinha sendo recuperada com ações específicas de reflorestamento. Ele destaca ainda a importância de ações que evitam incidentes como soltura de balões, causa do incêndio ocorrido.
A área atingida inclui o topo do morro, sobranceiro a encostas íngremes e a aproximadamente 700 metros de altitude. A ação de combate às chamas envolveu profissionais do ICMBio e do 1º Grupamento de Socorro Florestal e Meio Ambiente (GSFMA), que dedicaram cerca de 30 horas para controlar o fogo, que avançou devido à queda de um balão. Para o plantio, técnicos prepararam o solo, abriram berços para as mudas e transportaram as espécies mais adequadas às pontos mais elevados do morro.
Foram selecionadas 11 espécies de árvores nativas, incluindo mutambo, aroeira, pau-d’alho, paineira, saboneteira, aldrago, urucum, canela guaicá, pau-jacaré, monjoleiro e carrapeta. Os exemplares escolhidos priorizam espécies de rápido crescimento, capazes de recuperar áreas degradadas ou substituir espécies exóticas invasoras. De acordo com Felipe Martins, coordenador do Programa de Voluntariado no PNT e especialista do ICMBio, as mudas chegam com um desenvolvimento que permitirá a formação de copas e frutificação em um período de cinco a dez anos. Ele explica ainda que, sem intervenções similares, a floresta levaria mais de um século para atingir um estágio avançado de recuperação.
Técnicos envolvidos na iniciativa ressaltam que muitos desses incêndios podem ser evitados, principalmente por meio de denúncias de atividades ilegais, como soltura de balões e uso de fogueiras. Essas ações representam risco à fauna, à flora e às comunidades próximas, além de contribuírem para a destruição de ecossistemas essenciais.
Para aqueles interessados em colaborar, o ICMBio oferece oportunidades de voluntariado que permitem participação em ações de conservação. Menores de idade devem estar acompanhados de responsáveis durante as atividades. Informações detalhadas sobre os diferentes programas estão disponíveis no site oficial.
A população também pode contribuir através de denúncias anônimas, pelo canal de WhatsApp ou telefone do Disque Denúncia Linha Verde, que aceita relatos de atividades ilegais em áreas ambientais.
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