Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) investiga os impactos dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), como vaporizadores, cigarro eletrônico e pods, no controle do tabagismo no Brasil. O estudo busca compreender padrões de consumo, estratégias de marketing e possíveis riscos associados, com foco especial na população jovem.
O projeto, liderado pela pesquisadora Neilane Bertoni, utiliza abordagens multidisciplinares e técnicas de Ciência de Dados para monitorar o mercado digital de vendas e o comportamento dos usuários. As metodologias inovadoras incluem o uso de ferramentas como web-scraping, que automatiza a coleta de informações de sites de comércio eletrônico, além de um método de recrutamento online denominado Respondent-Driven Sampling (RDS) para mapear perfis e motivações do público consumidor. O cruzamento de dados quantitativos e qualitativos, bem como a análise de grandes inquéritos nacionais, reforçam a compreensão do panorama do consumo de DEFs no país.
Um ponto central do estudo é avaliar a hipótese do “efeito gateway”, que sugere que o uso de vaporizadores e similares poderia facilitar a iniciação ao tabaco tradicional e outros produtos derivados. Segundo a responsável pela pesquisa, Neilane Bertoni, a popularidade e a atratividade desses dispositivos entre jovens podem criar uma porta de entrada para o tabagismo, especialmente devido à percepção de serem menos nocivos, alimentada por sabores doces e aromas agradáveis. A preocupação é que, uma vez dependentes de nicotina, esses jovens possam migrar para outros produtos do tabaco, dificultando o controle das políticas de saúde públicas.
A pesquisa é apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), que reforça a importância de estudos científicos na formulação de estratégias de prevenção, fiscalização e conscientização voltadas ao público jovem. Apesar da proibição de venda desses dispositivos no Brasil, eles continuam acessíveis por canais digitais, incentivados pelo apelo visual, pela variedade de sabores e pelas percepções de menor dano à saúde.
Com a produção de evidências, a expectativa é fornecer subsídios para ações regulatórias e educativas, orientando gestores, fiscais e profissionais de saúde na criação de políticas mais rigorosas e específicas. O objetivo é fortalecer a capacidade de resposta das instituições brasileiras frente às possibilidades de uso dos dispositivos eletrônicos para fumar, contribuindo para a redução do risco de dependência de nicotina entre as novas gerações.
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