O uso do antidepressivo sertralina tem registrado crescimento significativo no Brasil, sendo considerado um dos medicamentos mais consumidos no país. Entre 2022 e 2024, houve um aumento de 18,6% na adesão a medicamentos indicados para a saúde mental, segundo levantamento nacional recente.
Apesar da ampla utilização, estudiosos alertam para uma questão pouco visível. Após serem metabolizadas pelo organismo, parte das substâncias presentes nesses remédios não é completamente eliminada. Ela segue até o sistema de esgoto através da urina e, sem tratamentos adequados, pode atingir rios e mares, contribuindo para a poluição química nos ambientes aquáticos.
Um projeto de monitoramento ambiental realizado na costa fluminense, iniciado em 2018, revelou a presença de compostos derivados de antidepressivos em tubarões, incluindo no tecido cerebral dos animais. A iniciativa é conduzida por uma pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e aponta para possíveis impactos na fauna marinha. A descoberta evidencia que a contaminação química pode alterar comportamentos e funções fisiológicas desses animais, afetando aspectos como alimentação e reprodução.
Atualmente, as investigações continuam para compreender a extensão e as consequências da presença dessas substâncias no ecossistema oceânico. As evidências apontam para a necessidade de ampliar o monitoramento e avaliar os efeitos a longo prazo na vida marinha.
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