Moradores de Botafogo realizaram neste sábado (20/06) um protesto em oposição à desapropriação de um imóvel na Rua Barão de Itambi, que por cerca de cinquenta anos abrigou redes de supermercados, entre elas Sendas e, posteriormente, Pão de Açúcar. A ação reuniu residentes que questionam a decisão da prefeitura do Rio de Janeiro de transformar a propriedade em bem público, sob a justificativa de interesse coletivo e revitalização urbana.
O imóvel, de propriedade do Grupo Sendas, foi declarado de utilidade pública no final de 2022, com planos de transformar a área em um centro de pesquisa em inteligência artificial vinculado à Fundação Getulio Vargas. A justificativa oficial refere-se à intenção de promover a renovação urbana na região, que, no passado, contou com o funcionamento de estabelecimentos comerciais estratégicos para abastecimento dos bairros vizinhos, como Botafogo, Flamengo, Urca, Laranjeiras e Catete. Segundo informações de análise de mercado, cerca de 200 mil moradores dependem da infraestrutura comercial tradicional na área, o que reforça a preocupação com o fechamento do supermercado.
Durante o protesto, moradores defenderam que o espaço continue dedicado ao comércio, alegando que há um contrato firmado com o Grupo Mundial para a instalação de uma nova unidade supermercadista no local. A Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB) afirmou que o processo de desapropriação ocorreu sem diálogo suficiente com a comunidade, o que, na avaliação da entidade, é prejudicial aos interesses locais. Regina Chiaradia, presidente da associação, destacou a insatisfação dos residentes com a falta de participação nas etapas decisórias e questionou se a destinação definida pela prefeitura realmente atende às necessidades do bairro.
A disputa judicial por esse imóvel impede o prosseguimento do leilão do bem. Em abril, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu liminar suspendendo temporariamente o processo de venda após recurso apresentado pelo Grupo Sendas. A medida mantém o andamento do caso sob análise, com a apresentação de documentos pelas partes envolvidas e manifestações jurídicas posteriores. Enquanto a empresa questiona a legalidade da desapropriação, alegando possíveis irregularidades, o Ministério Público também se posicionou contra o leilão. Já a Prefeitura sustenta que toda a tramitação está em conformidade com a legislação vigente.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



