Manifestantes que integram a categoria de rodoviários em greve realizaram, nesta terça-feira, uma manifestação no centro do Rio de Janeiro. A ação incluiu um passeio pelas principais vias da região, com início na Avenida Antônio Carlos, passando pela Rua Primeiro de Março, e culminando na ocupação de uma faixa da Avenida Presidente Vargas, no sentido Cidade Nova, por volta das 14h.
Durante a mobilização, relatos indicam que alguns manifestantes abordaram veículos de transporte público em circulação, retendo as chaves e obrigando passageiros a desembarcar. Há registros de atos de depredação em alguns ônibus e de bloqueios no fluxo viário, causando impacto no trânsito local. A Polícia Militar foi acionada para controlar a situação, enquanto agentes da Guarda Municipal acompanham o protesto. Testemunhas relataram ainda a presença de indivíduos encapuzados, alguns armados, ameaçando motoristas e passageiros. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram momentos de tensão durante a manifestação.
A greve dos rodoviários foi mantida após uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho, onde não houve acordo entre o sindicato da categoria e as empresas de ônibus. A proposta apresentada pelas empresas incluía um reajuste salarial de 4,39%, considerada insuficiente pelos trabalhadores, que sugeriram um aumento de 16,3% dividido em duas etapas: 8% imediato e 8,3% a partir de novembro. Como as negociações não avançaram, a greve continuará pelo menos até a próxima assembleia, agendada para a segunda-feira seguinte.
Antes da decisão final, os profissionais aprovaram em votação a continuidade do movimento, após rejeitarem uma proposta inicial de suspensão até uma nova rodada de negociações. Entre as principais demandas da categoria estão salários de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados, R$ 4 mil para os demais condutores, fim dos contratos temporários, contratação sob regime CLT para trabalhadores do BRT, além de tíquete-alimentação de R$ 1 mil, jornada 5×2, manutenção do passe livre, pagamento do intervalo de almoço e implementação de planos de saúde e odontológico.
Apesar do movimento ser considerado legal pela Justiça do Trabalho, a decisão judicial determinou que uma metade da frota de ônibus seja mantida operando em cada linha. Em função da redução na circulação de veículos, a Prefeitura orientou a população a recorrer a outros meios de transporte, como metrô, trens e barcas, que continuam em funcionamento normalmente.
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