Mais de um ano após a inclusão na lista de 14 bens culturais do Estado do Rio de Janeiro contemplados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a Fazenda Capão do Bispo, situada na Zona Norte do município, permanece sem qualquer intervenção de restauração. Apesar do investimento de R$ 440 mil destinado à elaboração do projeto de recuperação, o imóvel continua sem obras e sofre com invasões, vandalismos e furtos.
Localizada na encosta de uma colina às margens da Avenida Dom Helder Câmara, a propriedade apresenta arquitetura de estilo colonial e é reconhecida como um importante marco histórico da antiga Freguesia de Inhaúma. Inserida no patrimônio estadual, a fazenda foi uma das pioneiras na disseminação de mudas de café no interior do estado, contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico da região durante o Segundo Reinado. Desde o anúncio de sua inclusão no programa, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) indicou que a intenção é transformar o imóvel em um Museu e Centro de Estudos Arqueológicos.
Entretanto, a fazenda enfrenta um estado de degradação avançada. Sem vigilância contínua, o casarão tem sofrido com a destruição de portas, janelas e elementos arquitetônicos, além de ser alvo de ocupações irregulares por pessoas em situação de rua. Recentemente, ativistas denunciaram a realização de fogueiras no interior da edificação, aumentando o risco de incêndios em uma estrutura tombada. A situação alerta para o perigo de desabamento e perdas irreparáveis do patrimônio, agravadas pela falta de manutenção adequada.
Representantes de grupos de preservação apontam que a vulnerabilidade do imóvel demanda ações urgentes. O ativista Marconi Andrade destacou a importância histórica da fazenda, ressaltando sua relevância para a compreensão do passado brasileiro, uma vez que foi um dos primeiros locais de cultivo de cana-de-açúcar e de plantas de café no país. Segundo ele, a ausência de segurança, o roubo de partes do edifício e a ocupação irregular representam uma ameaça concreta ao patrimônio, que permanece sem a devida intervenção.
Há cerca de quatro anos, uma ação civil pública movida pelo Ministério Público buscou garantir medidas para a recuperação da fazenda. Contudo, o processo ainda não resultou em melhorias concretas.
A Casa do Capão é considerada uma expressão rara da arquitetura vernacular brasileira, destacada por seu pátio central e varanda com colunas toscanas de alvenaria. Sua história remonta ao século XVIII, quando a propriedade foi confiscada dos jesuítas e adquirida por um bispo, que construiu a casa-grande na estrutura de um capão — área de mata isolada. Sua importância é comparada à da Fazenda do Colubandê, em São Gonçalo, pela sua arquitetura e relevância histórica. A construção foi tombada pelo Iphan na metade do século XX.
O órgão federal informou que aguarda o envio do projeto executivo de restauração, elaborado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). A responsabilidade do Iphan restringe-se à análise, aprovação, fiscalização e descentralização dos recursos relacionados ao projeto. Sobre as condições atuais do patrimônio, o instituto ressaltou que, apesar de ter enviado ofícios às autoridades estaduais, queixando-se da falta de manutenção, há uma situação de negligência, com ausência de limpeza, controle de vegetação, coleta de lixo e vigilância no local.
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