Pesquisadores do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), manifestaram-se contra a decisão de encerrar o alojamento localizado em Curicica, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O encerramento foi anunciado na semana passada, motivado pelo aumento da violência na região, segundo a instituição, mas os moradores afirmam que a ação foi tomada sem consulta prévia ou consenso.
O alojamento acolhe estudantes de mestrado, doutorado e especialização, oriundos de diversos estados brasileiros e de outros países, com áreas de atuação como saúde e comunicação. Os residentes disseram ter ficado surpreendidos com a notícia e demonstraram preocupação com os possíveis efeitos do fechamento na continuidade de suas pesquisas.
Dois dias após o anúncio, os pesquisadores enviaram uma carta às lideranças e coordenações da Fiocruz solicitando a suspensão do processo de desativação até que todos os residentes tenham suas opiniões consideradas. No documento, também relataram sofrimento emocional, incluindo crises de ansiedade e pânico, e ressaltaram que muitos dos estudantes não têm vínculos familiares no Rio de Janeiro.
A decisão de fechar o alojamento foi tomada após pedidos feitos pelos próprios residentes por melhorias na infraestrutura e na segurança do espaço. Entre as sugestões está a instalação de um muro na parte de trás, que faz fronteira com a área de vegetação, considerado vulnerável a invasões.
Como alternativa temporária, a Fiocruz anunciou a concessão de um auxílio mensal de R$ 800 por um período de um ano, destinado a cobrir despesas de moradia enquanto os estudantes procuram novas acomodações. Essa proposta foi criticada pelos moradores, que alegam que o valor não cobre adequadamente os custos de aluguel na cidade e defendem que o grupo continue reunido em outro espaço adequado.
Em nota, a Fundação justificou que o valor do benefício foi estabelecido com base em levantamento de auxílios concedidos por outras instituições públicas de ensino superior no estado. A Fiocruz também esclareceu que o auxílio moradia pode ser complementado pelo auxílio de permanência, totalizando até R$ 1.600. A instituição afirmou ainda que a decisão visa prioritariamente garantir a segurança dos pesquisadores diante do crescimento da violência na região.
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