julho 16, 2026
julho 16, 2026
16/07/2026

Deputados e vereadores da Baixada Fluminense são investigados por esquema de R$ 358 milhões em contratos públicos

Uma operação policial busca esclarecer um esquema envolvendo políticos e empresas na Baixada Fluminense, relacionado à suposta movimentação de quase R$ 358 milhões em contratos públicos. As ações atingiram um deputado estadual e um vereador de São João de Meriti, ambos investigados por crimes como organização criminosa, fraude em licitações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou uma denúncia contra Rafael Nobre, deputado estadual, e Julio Ricardo dos Santos Henriques, conhecido como Magrão Nobre, além de oito outros indivíduos. As autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos envolvidos, incluindo o gabinete de Nobre na Assembleia Legislativa e a residência do vereador na Câmara Municipal de São João de Meriti.

Segundo apurações, o grupo investigado controlaria clandestinamente empresas usadas em fraudes em processos licitatórios e na desvinculação de recursos públicos em contratos com prefeituras da região, especialmente as de Magé e Japeri. A denúncia destaca três contratos específicos, no valor de aproximadamente R$ 358 milhões, relacionados ao fornecimento de alimentos para hospitais, escolas e secretarias municipais. No entanto, as investigações abarcam um total de 45 contratos assinados ao longo de vários anos.

A investigação aponta ainda que as empresas envolvidas teriam simulado concorrências utilizando documentos falsos, sócios laranjas e movimentações financeiras ilegais para esconder a origem dos recursos. Entre as empresas relacionadas estão Nutrifoods Refeições, Inovar Comércio e Serviços de Terceirização, King Food Alimentos e J&G Restaurante. Durante as buscas, foram apreendidos cerca de R$ 66 mil em dinheiro, sendo R$ 21 mil na residência do deputado e R$ 45 mil na casa do vereador.

O Ministério Público solicitou o ressarcimento de pelo menos R$ 357,9 milhões aos cofres públicos e pediu a perda dos mandatos dos envolvidos. As investigações tiveram início em 2017, quando Rafael Nobre exercia mandato de vereador em Nilópolis.

A defesa de Rafael Nobre afirmou que as ações policiais têm caráter somente investigatório e negou qualquer envolvimento do parlamentar com os fatos apurados, assegurando que a sua inocência será demonstrada judicialmente. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro declarou que acompanha as diligências do Ministério Público e reforçou seu compromisso com a transparência, colocando sua estrutura à disposição para colaborar com as investigações. O processo segue sob análise da Justiça, que determinará os próximos passos.


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