Empresas do setor de transporte rodoviário no Rio de Janeiro têm investido na implementação de programas de monitoramento da saúde do sono de motoristas, com o objetivo de melhorar a segurança nas viagens e reduzir acidentes relacionados à fadiga. Essas iniciativas envolvem avaliações médicas, uso de tecnologias e acompanhamento contínuo do estado físico e mental dos condutores antes, durante e após as viagens.
Um exemplo de ação nessa área é o programa desenvolvido pelo Grupo Guanabara, que atua há aproximadamente duas décadas. Com coordenação técnica do especialista Dr. Sérgio Vieira Barros, a iniciativa dispõe de laboratórios próprios no Rio de Janeiro e em Brasília, onde são realizados exames de polissonografia e avaliações para identificar distúrbios como apneia do sono e insônia crônica. De acordo com o especialista, a qualidade do sono impacta diretamente a capacidade de concentração, reflexos e estabilidade emocional dos motoristas.
O processo começa ainda na fase de recrutamento, quando os candidatos passam por testes de cronotipo, que identificam os horários do dia em que apresentam maior desempenho. Com esses dados, as escalas de trabalho são planejadas para evitar jornadas em horários que possam prejudicar o descanso, levando em conta o ritmo biológico de cada profissionais. Motoristas com perfil diurno, por exemplo, não são escalados para trabalhos na madrugada, enquanto os noturnos passam por avaliações específicas como o Teste de Manutenção de Vigília, que mede a atenção por longos períodos.
Antes de cada trajeto, os motoristas realizam um exame de atenção computadorizado, conhecido como Teste Atento, que identifica o estado físico e emocional no momento. Durante as viagens, câmeras com inteligência artificial monitoram sinais de fadiga por meio da análise de expressões faciais. Os dados coletados são enviados em tempo real a uma central operacional, possibilitando intervenções preventivas quando necessário.
Além dessas ações, o programa inclui a instalação de 16 Salas de Estimulação ao longo de rodovias como a Via Dutra e na cidade de Juiz de Fora (MG). Localizadas em pontos de parada entre às 18h e às 6h, essas salas utilizam iluminação de alta intensidade para reduzir a produção do hormônio melatonina, que induz o sono. Os motoristas têm acesso a alongamentos, bicicletas ergométricas e alimentação orientada por nutricionistas, visando evitar refeições que aumentem a sonolência.
A iniciativa busca não apenas prevenir acidentes, mas também promover a melhoria na qualidade de vida dos profissionais de transporte. O diagnóstico precoce de distúrbios do sono possibilita tratamentos que minimizam sintomas como fadiga excessiva, dificuldades de concentração e problemas emocionais ligados à privação de descanso. A diretora de Marketing do Grupo Guanabara reforça que ações voltadas à saúde dos motoristas representam uma medida eficaz para garantir viagens mais seguras, colocando a ciência e o bem-estar no centro da segurança nas estradas.
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