julho 17, 2026
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17/07/2026

Cavalos-marinhos mortos em baía de Guanabara podem ter sido capturados por pesca de arrasto

Na Baía de Guanabara, próximo ao bairro Gradim, em São Gonçalo, foi registrada a presença de uma quantidade significativa de cavalos-marinhos mortos flutuando na água. A descoberta foi comunicada à coordenadora-geral do Projeto Cavalos-Marinhos, Natalie Freret, por pescadores locais, após a localização de uma caixa contendo os animais. Segundo ela, após a retirada do recipiente do mar, os cavalos-marinhos retornaram à água devido às correntes, e as circunstâncias precisas do descarte ainda não estão elucidadas.

Relatos indicam que a caixa foi localizada no início da semana por pescadores que pretendiam reaproveitar o material. Ao virarem o recipiente, encontraram dezenas de cavalos-marinhos mortos. Com o movimento na área e a influência das correntes, os animais foram levados novamente para o interior da baía.

A presença de uma espécie rara chamou atenção da equipe do projeto. Pelas imagens enviadas pelos pescadores, a pesquisadora identificou o animal como Hippocampus patagonicus, conhecido como cavalo-marinho-da-patagônia. A espécie, que normalmente habita águas mais profundas, geralmente não é encontrada na Baía de Guanabara, o que reforça a hipótese de captura acidental.

De acordo com a especialista, essa espécie é comum em profundidades superiores a 30 metros, sendo frequentemente capturada por embarcações que realizam pesca de arrasto em alto-mar. Padrões de captura indicam que, ao contrário de outros encontros em que poucos animais são registrados, a quantidade encontrada nesta ocasião é incomum, levando a suspeitas de uma captura massiva e acidental.

A pesca de arrasto, considerada uma das principais ameaças aos cavalos-marinhos globalmente, resulta frequentemente na captura de animais vivos, que devem ser devolvidos ao mar, ou mortos, que podem ser encaminhados para estudos científicos. O projeto mantém parcerias com pescadores industriais para orientar sobre os procedimentos corretos nesses casos, buscando reduzir o impacto ambiental.

Desde o ano passado, esforços de conscientização têm sido intensificados entre os pescadores, especialmente no que diz respeito ao manejo adequado de animais capturados acidentalmente. Muitos pescadores, por desconhecimento, descartam os cavalos-marinhos no mar após a captura, o que contribui para a mortalidade dessas espécies.

Estimativas globais apontam que cerca de 37 milhões de cavalos-marinhos de diferentes espécies são capturados incidentalmente por ano, principalmente por meio da pesca de arrasto. Reduzir esses impactos depende de ações de diálogo com o setor pesqueiro e avanços nas pesquisas científicas relacionadas às espécies. O projeto busca promover orientações e fortalecer o entendimento sobre a importância de práticas de pesca sustentáveis para a preservação dessas criaturas.


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