Fundado em 1875 pelo imperador Dom Pedro II, o Colégio Estadual João Alfredo, localizado na Vila Isabel, constitui-se como uma das instituições de maior relevância histórica na educação pública do Rio de Janeiro. Sua origem remonta ao Asilo dos Meninos Desvalidos, criado com foco na inclusão social e na formação integral de jovens vulneráveis, combinando ensino acadêmico e capacitação profissional.
O projeto foi uma iniciativa da época, direcionada a ampliar o acesso à educação primária e a oferecer formação técnica precoce, uma inovação para o século XIX. A instalação da escola ocorreu na antiga Rua do Macaco, que hoje é a Avenida 28 de Setembro, e sua inauguração contou com a presença do próprio imperador. O edifício destacou-se pela arquitetura moderna, com espaços amplos para dormitório, salas de aula, oficinas e um sistema de ventilação natural, considerado avançado para sua época. Além do ensino, a instituição disponibilizava assistência médica gratuita a seus internos.
Ao longo dos anos, a escola conquistou reconhecimento nacional e internacional. Seus estudantes obtiveram medalhas em exposições de Paris em 1900, 1904 e 1908, além de receber o Grande Prêmio na Exposição Internacional do Centenário da Independência, em 1922. Tal destaque ilustrava sua oferta de formação de padrão europeu, incluindo disciplinas técnicas que preparavam os jovens para o mercado de trabalho desde cedo.
Dentre os alunos notáveis está João Baptista da Costa, que, além de interno na infância, tornou-se um renomado paisagista brasileiro e professor na Escola Nacional de Belas Artes. Outros protagonistas relevantes na história da escola incluem o primeiro diretor, o médico Rufino Augusto de Almeida, responsável por estabelecer um projeto educacional inovador na época.
Em 1910, a instituição passou a denominar-se Instituto Profissional João Alfredo, em homenagem ao ministro que a criou. Ao longo do tempo, acompanhou diversas transformações na educação pública do país e atualmente funciona como o Colégio Estadual João Alfredo, permanecendo no mesmo prédio histórico. Parte da edificação também abriga o Instituto de Geriatria e Gerontologia.
Hoje, a escola mantém viva uma trajetória de mais de 150 anos de tradição, reparando seu papel na promoção de uma educação inclusiva, de qualidade e com forte valor patrimonial. Sua história compactua com a evolução da formação profissional e do ensino público no Brasil, consolidando-se como um símbolo significativo na cultura educativa do Rio de Janeiro.
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