A crescente crise econômica global têm impulsionado o mercado de ouro no Rio de Janeiro, intensificando ações criminosas relacionadas ao roubo de joias nas ruas da cidade. O aumento na procura por ouro, considerado um ativo de maior estabilidade devido à instabilidade financeira, tem sido acompanhado por uma escalada nos roubos, promovidos por organizações criminosas que atuam de forma estruturada.
No centro da cidade, na Rua Uruguaiana, há relatos de disputas pelo metal em vias públicas, onde a troca de joias ocorre de forma abrupta e muitas vezes violenta. Nas regiões movimentadas da Tijuca, Zona Norte, e de Copacabana, na Zona Sul, cartazes e anúncios oferecem serviços de compra e venda de ouro. Esses estabelecimentos frequentemente operam sem identificar seus locais, com negociações realizadas em salas comerciais não registradas, levantando suspeitas sobre a origem das joias adquiridas. Em um desses locais, uma pessoa afirmou à reportagem que frequentemente os materiais são derretidos imediatamente após a compra, priorizando o pagamento imediato e o relacionamento de confiança.
Desde 2015, a legislação estadual obriga estabelecimentos que atuam na compra, venda e fundição de joias usadas a se registrarem na Secretaria de Segurança Pública, além de adotarem procedimentos de fiscalização e controle das operações. A lei também exige que transações sejam documentadas com cópias de documentos de identidade, declarações de propriedade e comprovantes de residência, além de manter registros detalhados de entrada e saída de materiais, incluindo informações como peso, valor e vendedor. No entanto, essa legislação ainda não foi regulamentada pelo Executivo, e a Secretaria de Segurança Pública confirmou que o sistema de cadastro previsto nunca entrou em operação.
O setor formal de comércio de ouro, representado pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos, destaca a necessidade de registros no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), incluindo a emissão de notas fiscais e o rastreamento da origem das joias vendidas. Essa medida visa dificultar a receptação de ouro roubado, embora sua implementação ainda seja limitada.
Casos de roubos de joias nas vias públicas têm sido frequentes na capital. Em julho, um episódio de grande repercussão envolveu o empresário Eduardo Pedrosa Alves, vítima de uma emboscada no Recreio. Monitorado por criminosos que conheciam seus hábitos, ele foi perseguido no supermercado por uma dupla de moto. Durante o assalto, o bandido armado tentou roubar seu cordão de ouro, houve resistência por parte de Eduardo, que foi baleado ao tentar proteger a joia. Após o ataque, ele foi socorrido e encaminhado a um hospital particular, onde permaneceu em estado estável na UTI, tendo perdido um rim e parte do pâncreas em consequência do ferimento.
A atuação de criminosos na cidade permanece sob investigação, enquanto a vulnerabilidade de vítimas continua sendo uma preocupação presente na rotina urbana.
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