agosto 16, 2026
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16/08/2026

Empresa tradicional do comércio do Rio, Camisaria Progresso sobreviveu a incêndios e transformações urbanas

A tradicional Camisaria Progresso, símbolo do comércio carioca por mais de sete décadas, encerrou suas atividades após um incêndio destruí-la na última noite de 1957. Localizada na esquina da Praça Tiradentes com a Rua da Carioca, a loja era reconhecida por sua ampla variedade de produtos, incluindo camisas, pijamas, roupas femininas e infantis, além de tecidos e artigos de cama, incorporando também uma fábrica própria e filial em Copacabana.

Fundada em 1898 por Augusto de Castro Lopes Brandão, de origem portuguesa, a Progresso destacou-se por sua modernidade em práticas de varejo, oferecendo preços fixos e garantias de troca. Desde os primeiros anos do século XX, a empresa passou a exibir uma imagem de inovação, promovendo catálogos e participando de campanhas de publicidade que iam além do conceito tradicional de comércio. Em 1912, a loja inovou ao realizar um desfile carnavalesco de rua, levando carros alegóricos, fantasia e música às ruas do Rio, uma ação considerada uma forma pioneira de marketing urbano.

Ao longo das décadas, a Progresso expandiu sua estrutura, controlando diversas filiais, além de uma fábrica instalada na Rua do Senado, onde produzia uma variedade de roupas e artigos diversos. A organização societária evoluiu, envolvendo nomes familiares e parcerias com outros estabelecimentos, consolidando-se como um pequeno grupo comercial com uma presença significativa na cidade.

A trajetória da firma foi marcada por incêndios importantes: a ocorrida em 1943 quase pôs fim ao Parc Royal, e a de 1957, na Praça Tiradentes, levou à reconstrução rápida do espaço original, concluída em apenas 11 meses. Este episódio demonstra a determinação da empresa em manter sua presença no comércio carioca. Após a reconstrução, a Progresso também experimentou sua incursão na televisão, patrocinando programas e eventos, incluindo uma ligação com o personagem Abelardo Barbosa, o Chacrinha.

Apesar de sua importância histórica, a Camisaria Progresso desapareceu do cenário comercial na década de 1960 e, posteriormente, o ponto na Praça Tiradentes foi ocupado por uma loja de calçados, a Sapataria Sapasso. Assim, encerrou-se uma das histórias mais longas e influentes do comércio carioca, cujo legado transcende o tempo, simbolizando uma era de inovação e convivência entre o business e a cultura da cidade.


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