O anúncio de que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) pretende implementar cortes significativos nos gastos públicos, inspirado pelo ajuste fiscal praticado pelo governo de Javier Milei na Argentina, gerou debates sobre o alcance dessas medidas, ainda sem detalhes específicos disponibilizados pelo candidato. Enquanto isso, o adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem solicitado explicações quanto às propostas de economia de recursos do concorrente, que nega a intenção de reduzir direitos adquiridos, como aposentadorias e programas sociais.
Entre as ações propostas, está a possibilidade de desindexar as aposentadorias do reajuste pelo salário mínimo, limitando os aumentos à inflação, o que poderia impactar o ganho real das pensões. Atualmente, esses benefícios seguem a regra do salário mínimo, que garante rentabilidade de até 2,5% acima da inflação. Segundo integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro, a equipe busca inspiração nas medidas adotadas por Milei na Argentina, considerado um exemplo para as estratégias de economia.
Na Argentina, uma das mudanças relevantes do governo Milei é o fim da moratória previdenciária, prevista para março de 2025, que resultou na redução do número de novas aposentadorias concedidas — caiu de aproximadamente 214 mil pelo semestre de 2024 para quase 100 mil no mesmo período de 2026, uma redução de mais da metade. Essa alteração impactou drasticamente o fluxo de entrada de novos beneficiários no sistema previdenciário local, além de criar uma fórmula de cálculo das aposentadorias que reforça limitações ao crescimento do benefício.
Desde março de 2024, o governo argentina ajusta as aposentadorias com base na inflação, ao contrário do método anterior, que utilizava uma combinação de salários e arrecadação previdenciária. Estimativas indicam que essas mudanças reduziram em cerca de 21% o valor mínimo dos benefícios. Especialistas destacam que a perda de poder de compra das aposentadorias no país desde 2018 evidencia o impacto dessas reformas sobre os idosos.
Outra medida do governo Milei relacionada aos aposentados foi a alteração no programa de concessão de medicamentos gratuitos, restringindo o acesso a beneficiários com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo. Essa regulamentação provocou protestos recorrentes de aposentados em Buenos Aires, que vivem com uma parcela muito abaixo do necessário para uma vida digna, segundo avaliações de organizações de defesa do idoso.
Apesar de pressões sociais, o Congresso argentino vetou propostas que aumentariam os valores mínimos das aposentadorias, considerados insuficientes diante da realidade de quem depende do benefício para sobrevivência. No último reajuste, em outubro, o benefício mínimo foi aumentado em 1,66%, resultado de uma política de correções que ainda não cobre integralmente as necessidades básicas de idosos na Argentina, cujo custo mensal estimado é aproximadamente R$ 1.662, considerando valores atuais.
Atualmente, a situação dos aposentados argentinos permanece preocupante, com um percentual significativo de idosos vivendo em condições críticas, refletindo os efeitos das recentes reformas previdenciárias implantadas pelo governo Milei.
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