outubro 13, 2026
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13/10/2026

Vagão imperial de 1886, carente de conservação, é alvo de petição para transferência a Petrópolis

Um antigo vagão ferroviário, fabricado em 1886 para transportar Dom Pedro II e sua família imperial, atualmente está exposto no Museu do Trem, localizado no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio de Janeiro. Uma iniciativa popular busca a transferência da peça para o Museu Imperial, em Petrópolis, na Região Serrana, alegando que essa mudança contribuiria para sua preservação. A petição, que já conta com 726 assinaturas, é contra a posição do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo acervo, que defende a manutenção do vagão no local.

O Carro Imperial possui aproximadamente 17 metros de comprimento, peso de 13,7 toneladas e tem quatro compartimentos, incluindo um banheiro e um salão com 15 cadeiras. A campanha, idealizada pelo empresário Michael Gaia, de 30 anos, de Florianópolis, surgiu após ele conhecer relatos sobre as condições do Museu do Trem, que permanece fechado ao público desde 2019 e já foi alvo de furtos. Gaia destacou que a iniciativa visa garantir a preservação de uma peça de valor inestimável para a história brasileira.

O Iphan revelou ter concluído o Plano Museológico do Museu do Trem e realizado o inventário do acervo, incluindo verificações de segurança e conservação das peças. Segundo o instituto, o vagão passa por higienização periódica, apresenta bom estado de conservação e foi inspecionado em julho último. O órgão reforça que a transferência de bens de grande valor histórico é uma medida excepcional, preferindo fortalecer a preservação do conjunto no espaço original.

A instituição também destacou a importância de manter as peças no Museu do Trem para fortalecer sua função como espaço de memória e identidade cultural. Contudo, o órgão não anunciou um cronograma definido para futuras ações de restauração.

Inaugurado em 1984, o Museu do Trem preserva itens significativos da história ferroviária brasileira, como a locomotiva Baroneza, considerada a primeira de vapor no país. Desde 2019, o museu encontra-se fechado e apresenta problemas de conservação, incluindo vegetação não controlada e estruturas deterioradas. Em 2022, o espaço sofreu o furto de 16 sinos de bronze, utilizados entre o final do século XIX e início do XX, valorados em cerca de R$ 240 mil, um prejuízo considerado culturalmente inestimável. A Polícia Federal originou uma investigação sobre o caso, posteriormente arquivada pelo Ministério Público.

O Museu Imperial, que mantém o vagão atualmente, informou que enviaria uma proposta de transferência ao órgão responsável. Contudo, o representante do empresário Gaia afirma não ter recebido detalhes sobre prazos ou projetos específicos relacionados à possível mudança do Carro Imperial.


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