Na quinta-feira (15/10), a Polícia Federal realizou a oitava fase da operação Unha e Carne, detida a um grupo sob suspeita de montar um esquema de cartel de postos de combustíveis e lavagem de dinheiro. As investigações revelam ligações entre o crime organizado, políticos e agentes públicos no Rio de Janeiro, com indícios de que estruturas de defesa do consumidor estavam sendo usadas para facilitar atividades ilícitas, incluindo o vazamento de informações confidenciais.
Durante as ações, foram presos o deputado estadual eleito Marcio Canella (União), o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim, além de outros policiais civis. Os documentos obtidos indicam que a organização criminal recebia informações antecipadas de fiscalização de postos de combustíveis conduzidas pelo Procon estadual e municipal na capital.
As investigações apontam comunicações entre o policial civil Pablo Russo, agentes do Procon Carioca, vinculados à prefeitura do Rio, e servidores da Secretaria de Defesa do Consumidor (Sedcon) do estado. Uma mensagem interceptada mostra um advogado informando Russo sobre uma fiscalização programada em São Gonçalo, em que o contato prevê que a equipe do Procon reuniría as informações para repassá-las ao líder comunitário Luiz Ricardo Estevam Lima, conhecido como Tchetcheco, que foi coordenador do projeto Balcão do Consumidor na cidade. A plataforma de investigação aponta possíveis violações de sigilo funcional e corrupção envolvendo o líder comunitário, que desde junho está sob investigação por contratos suspeitos.
Tchetcheco, que mantém presença em redes sociais com registros de contatos com políticos e comandantes de batalhões, declarou que aguardará o acesso às investigações para se pronunciar. O Procon RJ esclareceu que ele não ocupava cargo efetivo ou comissionado na autarquia, afirmando que uma sindicância está sendo instaurada para esclarecer os acontecimentos e garantir transparência.
A operação também trouxe à tona a participação de Edvaldo Ferreira Borges, conhecido como Biscoito, servidor comissionado do Procon Carioca. Ele teria vazado informações relacionadas a operações de fiscalização, com indícios de corrupção passiva, segundo a Polícia Federal. As investigações indicam que uma pessoa próxima a Biscoito e ao então secretário João Pires, deputado estadual eleito pelo PSD, teria acesso a informações privilegiadas. João Pires afirmou estar surpreso com o envolvimento de Biscoito e destacou que, durante seu mandato, a fiscalização foi realizada normalmente. As secretarias envolvidas afirmaram que Edvaldo Ferreira Borges foi exonerado e que a exoneração será oficializada na próxima segunda-feira, reforçando o compromisso de apuração de irregularidades e punições quando cabíveis.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



