Uma mulher de 42 anos foi detida na última quarta-feira em um abrigo localizado em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, sob suspeita de envolvimento em uma organização criminosa dedicada à exploração sexual de menores. A prisão ocorreu durante uma operação da Polícia Civil, que investiga o caso sob a responsabilidade da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima (DCAV). As investigações indicam que a rede criminosa estaria responsável pelo aliciamento de jovens para abusos sexuais e produção de material pornográfico envolvendo menores de idade.
A suspeita trabalhava como empregada doméstica de um advogado, apontado como líder do esquema criminoso. Este profissional foi preso em março e denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em maio, por estupro de vulnerável, exploração sexual e crimes relacionados à produção e divulgação de conteúdo pornográfico com menores.
Além do seu possível envolvimento na organização criminosa, a mulher responde a investigações por abandono de incapaz. Em agosto deste ano, uma menina foi levada até a delegacia por um homem que a encontrou sozinha em um bar. A menor relatou que tinha um celular fornecido pela mãe, mas não via a mãe desde o dia anterior. O caso foi registrado na 71ª Delegacia de Polícia de Itaboraí. Segundo o documento, a menina residia com a investigada em um abrigo do município.
A mulher também possui antecedentes policiais por abandono de incapaz e foi presa em 2012 sob suspeita de homicídio, por ter supostamente matar o ex-marido a facadas.
As investigações se intensificaram após a prisão do advogado, efetuada no bairro do Grajaú, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Com a análise dos dados coletados, as autoridades ampliaram a busca por outros suspeitos ligados à organização. Em outubro, foi detido um homem de 68 anos, considerado um dos responsáveis pelo grupo, enquanto a filha da mulher investigada foi presa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
As apurações revelam que o grupo utilizava aplicativos de mensagens para atrair menores, oferecendo dinheiro ou presentes como forma de aproximação. Há relatos de abusos sexuais durante encontros e festas organizadas pelos criminosos. De acordo com o Ministério Público, os crimes perpetrados pelo advogado teriam ocorrido entre 2020 e 2025, atingindo ao menos três vítimas com idades entre 10 e 17 anos. Durante a investigação, foram encontrados mais de oito mil arquivos com conteúdo sexual envolvendo menores no celular do suspeito.
A investigação sugere que a organização funcionava de maneira estruturada, com divisão de tarefas entre os suspeitos. Enquanto um envolvido coordenava a exploração sexual, a produção de material pornográfico e o pagamento às vítimas ou responsáveis, outros atuavam no recrutamento e na entrega das menores. Um terceiro suspeito é apontado como responsável pelo aliciamento direto e pelos abusos.
A perícia indica que o grupo explorava vulnerabilidades sociais das vítimas para facilitar as aproximações. Para conquistar a confiança dos menores, utilizavam recursos materiais como dinheiro, presentes, celulares e alimentos, além de manter os mantinham sob silêncio por meio dessas vantagens.
No momento, as investigações continuam, com as autoridades buscando identificar e prender outros possíveis integrantes da organização.
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