outubro 18, 2026
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18/10/2026

Posto de Belford Roxo, ligado a ex-prefeito, recebeu R$ 37 milhões da prefeitura desde 2012

Um posto de combustível de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, está sob investigação por suposto vínculo com recursos públicos, após recebimentos superiores a R$ 37 milhões da prefeitura desde 2012. A Polícia Federal estuda possíveis mecanismos pelos quais esses valores possam ter sido revertidos ao grupo político do ex-prefeito Márcio Canella, que atualmente disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Segundo informações obtidas por um programa de televisão, o estabelecimento, chamado Posto São Sebastião, chamou atenção da polícia pelo registro de depósitos em dinheiro vivo que somaram mais de R$ 10 milhões, movimentações estas comunicadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Apesar disso, a investigação não aponta, até o momento, provas de lavagem de dinheiro, mas destaca a movimentação significativa em espécie como elemento que levanta suspeitas.

A apuração ampla conduzida pela PF apura um suposto esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos, envolvendo uma rede de cerca de 100 postos de combustíveis. Essa rede teria operado para integrar receitas legítimas com valores de origem criminosa, incluindo recursos públicos. Na relação com a prefeitura, há contratos firmados que totalizam aproximadamente R$ 20 milhões, embora os pagamentos realizados ultrapassem R$ 37 milhões. Essa discrepância ainda não foi esclarecida pelos procedimentos em andamento.

Um dos contratos, assinado em novembro de 2015, foi firmado pela Secretaria Municipal de Transportes ainda durante gestão de Canella, que deixou o cargo para disputar uma vaga na Assembleia. O contrato mais recente, datado de outubro de 2016, foi realizado após a eleição em que Mariana Malta assumiu a prefeitura, tornando-se sucessora política do ex-prefeito.

O proprietário do posto, Bruno Viana de Souza, também é sócio de Canella em uma outra empresa, a Brumar Empreendimentos. Essa relação societária é objeto de análise por parte da Polícia Federal, que investiga se parte do dinheiro recebido pela prefeitura teria sido transferida para empresas relacionadas ao grupo político do ex-prefeito, potencialmente dando aparência legal a recursos de origem ilícita.

Na investigação, há também um destaque para uma movimentação financeira de R$ 50 mil do ex-prefeito a Mariana Malta, atualmente à frente do município. A Prefeitura de Belford Roxo contestou essa informação, afirmando que as operações financeiras na ocasião consistiram em pagamentos menores, relacionados ao reembolso de despesas diversas, sem que tenham ocorrido depósitos únicos ou transações de valor elevado.

A administração municipal afirmou que todos os contratos com o posto deveriam passar por auditoria interna, reforçando que a prestação de serviços tem sido contínua e que a primeira contratação ocorreu antes do período de gestão de Canella. A Prefeitura também informou que, após licitações subsequentes, nenhuma outra empresa manifestou interesse em prestar tais serviços.

Até o momento, as defesas de Márcio Canella e de Mariana Malta não se pronunciaram oficialmente sobre as investigações, e a defesa do empresário Bruno Viana de Souza não foi localizada. A investigação continua em andamento, com o objetivo de esclarecer os vínculos e a origem dos recursos envolvidos nas transações com o posto e o município.


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