O policial civil Christiano Gaspar Fernandes obteve autorização para cumprir prisão domiciliar, enquanto seu quadro de saúde permanecer delicado. A determinação foi emitida neste sábado (17) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que revogou a prisão preventiva do investigado e substituiu por medidas cautelares. Ele estava detido na unidade de Benfica, na Zona Norte do Rio, após ser preso na oitava fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal.
Conforme relato do advogado de defesa, Ubiratan Guedes, Christiano passou por uma cirurgia de risco há quatro dias e apresenta hemorragia, motivo que motivou a decisão do STF. Detalhes do procedimento não foram divulgados por questões éticas.
A decisão exige o cumprimento de condições específicas para a liberdade, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com outros investigados e restrições ao uso de redes sociais. Além disso, o policial terá as autorizações para porte de armas suspensas, assim como seus certificados relacionados a atividades de tiro, caça e colecionamento.
O investigado também deve entregar seus passaportes brasileiros e estrangeiros em 24 horas e está proibido de deixar o país. Visitas domiciliares estão vetadas, salvo para advogados ou com autorização judicial prévia. Deslocamentos para atendimento médico somente poderão ocorrer mediante autorização judicial, exceto em caso de emergência, quando a justificativa deverá ser apresentada em até 48 horas.
O descumprimento dessas restrições poderá acarretar a revogação da liberdade e o retorno imediato à prisão. Em situações que a condição clínica exigir, uma transferência hospitalar poderá ser determinada.
Investigações apontam esquema de lavagem de dinheiro
Christiano Gaspar Fernandes foi um dos seis alvos de mandados de prisão durante a oitava fase da operação, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (15). A ação busca desmontar uma organização criminosa que utilizava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro, cuja movimentação financeira suspeita pode ultrapassar R$ 7,6 bilhões em seis anos, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Além do policial, foram presos o irmão dele, Giovanni Gaspar Fernandes, inspetor da Polícia Civil; Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado eleito; Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio; e os inspetores José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.
Investigações indicam que Christiano e Giovanni aparecem em anotações manuscritas que sugerem pagamentos recorrentes, potencialmente relacionados a atividades ilícitas. Essas planilhas, que detalham a distribuição do dinheiro proveniente dos postos, os relacionariam pelo codinome “Meninos”.
Christiano, que já atuou na Delegacia de Repressão a Entorpecentes e liderou setores de investigação, teria desempenhado papel central na lavagem de recursos desviados da prefeitura de Belford Roxo. Já Márcio Canella é citado como o principal articulador político da organização, coordenando ações entre agentes públicos, os postos de combustíveis e grupos armados. Marcus Amim é suspeito de ter garantido proteção policial ao esquema, ocupando cargos no Detran-RJ e na Secretaria de Polícia Civil.
Operação também resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em diversos municípios fluminenses. Foram autorizados o sequestro de bens e valores de 112 empresas relacionadas às atividades ilícitas, sendo 96 delas postos de combustíveis. A ação visa a desarticulação da rede, envolvendo suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais, relacionadas a investigações anteriores que apuraram o repasse indevido de dados sobre ações contra o Crime Organizado no Rio.
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