Benito di Paula, renomado músico brasileiro, faleceu neste domingo (18/10) aos 84 anos em São Paulo, onde vinha tratando um câncer de próstata há cerca de um ano. Internado no Hospital 9 de Julho, o artista morreu na manhã de hoje, deixando um legado de mais de cinco décadas na música popular brasileira.
Natural de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito di Paula, cujo nome de nascimento é Uday Veloso, iniciou a trajetória musical na infância, influenciado pelo pai, que era ferroviário e músico. Ainda adolescente, recebeu incentivo de Alfredo Motta, que lhe deu o nome artístico e o impulso para seguir carreira. Aos 17 anos, mudou-se para a capital do Rio de Janeiro, onde viveu na Tijuca e passou a atuar em casas noturnas, como a boate Balalaika em Copacabana. Na cidade, vivenciou um ambiente cultural vibrante, que contribuiu para ampliar seus horizontes musicais e seu repertório.
Durante sua trajetória, Benito permaneceu ligado às raízes cariocas, inclusive atuando na conhecida casa noturna Asa Branca, na Lapa, na década de 1980. Sua carreira ganhou reconhecimento nacional na década de 1970, com sucessos como “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”, músicas que marcaram gerações e ainda são referência na MPB. Seu estilo, caracterizado pelo piano marcante e a interpretação emocional, foi identificado com o samba-joia, mas o próprio artista resistia a rótulos.
Além de compor, Benito teve suas músicas interpretadas por diversos artistas de destaque, como Roberto Carlos, Maria Bethânia e Alcione. Sua obra também manteve ligação com a música carioca contemporânea, destacada por obras como “Mulher Brasileira”. Mesmo após estabelecer-se em São Paulo, continuou realizando apresentações no Rio de Janeiro, com destaque para shows em 2019, 2024 e 2026, além de colaborações com o filho, Rodrigo Vellozo, em projetos musicais comemorativos.
A cidade natal de Nova Friburgo celebrou sua trajetória por meio de homenagens culturais, incluindo um musical apresentado em 2025 e uma proposta, aprovada em 2023, de instalação de uma estátua em sua homenagem. Recentemente, em 2026, a cidade também integrou a homenagem em seu tradicional desfile de carnaval, que levou seu nome ao Sambódromo do Anhembi.
O corpo de Benito di Paula ainda aguarda detalhes sobre velório e sepultamento, que devem ser divulgados pelas autoridades familiares em breve.
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