A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou uma iniciativa que visa reconhecer instituições religiosas que adotam práticas inclusivas para pessoas com autismo e outras neurodivergências. A proposta, de autoria do vereador Paulo Messina, estabelece o Selo Templo Religioso Amigo da Inclusão, destinado a igrejas, sinagogas, terreiros e templos de qualquer tradição religiosa que promovam ambientes acessíveis e acolhedores.
A legislação, aprovada por unanimidade em 14 de outubro, busca incentivar adaptações em espaços religiosos para permitir que indivíduos com diferentes necessidades sensoriais e comportamentais participem de atividades religiosas com maior autonomia e sem constrangimentos. Além de promover a acessibilidade, o projeto homenageia o pastor Glauco Ferreira, da Igreja Metodista, por seu trabalho na inclusão de autistas nas comunidades de fé, e receberá o nome de Lei Pastor Glauco Ferreira.
Segundo o autor, a iniciativa tem o objetivo de criar ambientes mais receptivos e promover uma cultura de respeito à neurodiversidade. Entre os requisitos para obtenção do selo estão a redução de estímulos sensoriais, como barulhos e iluminação intensa, além de espaços silenciosos para momentos de recuperação. Também serão alinhadas ações de capacitação de líderes religiosos, funcionários e voluntários, assim como melhorias na comunicação para facilitar a compreensão das atividades religiosas e a realização de campanhas de conscientização.
A proposta evidencia a necessidade de preparação por parte das instituições de fé, pois muitas famílias enfrentam dificuldades de participação devido à falta de estruturas ou de compreensão por parte da congregação. Para o vereador, o reconhecimento oficial pode estimular mudanças no modo de acolhimento e promover maior inclusão de pessoas autistas, principalmente crianças e jovens com sensibilidades específicas.
A legislação será válida para qualquer religião, independentemente de denominação, incentivando uma abordagem mais ampla de inclusão. Ela depende agora de sanção do Poder Executivo para se tornar efetiva, representando um avanço nas políticas públicas voltadas ao respeito à diversidade nas comunidades religiosas do município.
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