O Ministério Público Federal (MPF) investiga a destinação de recursos públicos para a organização Casa do Pai, vinculada à candidata à prefeitura de Itaguaí, Kelaine Goulart (Novo). A apuração aponta suspeitas de superfaturamento, uso irregular de verbas e pagamento por projetos não realizados.
Em 2023, a entidade recebeu mais de R$ 7,2 milhões de emendas parlamentares, com a maior parte do valor indicada pelo deputado federal Roberto Monteiro (PL). No ano seguinte, outras R$ 2,25 milhões foram destinados pelo Ministério da Saúde, destinados a projetos que incluem uma iniciativa de telemedicina — interrompida — e um programa de atendimento a dependentes químicos, que, de acordo com as denúncias, não chegou a ser iniciado.
As investigações também abrangem contratos firmados pela organização. Uma das licitações para melhorias em salas de aula foi vencida por João Pedro Avila, enteado de Kelaine. O procedimento contou com a assinatura de Rafaela da Silva Avila, presidente da ONG e esposa do sogro da candidata. Além disso, há suspeitas sobre relações entre a entidade e uma empresa de prestação de serviços instalada em imóveis sob posse de Kelaine.
Antes mesmo da ação do MPF, a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou indícios de irregularidades na aplicação dos recursos, incluindo preços acima do valor de mercado e contratos que não cumpriram as condições estabelecidas. Essas descobertas levaram o Ministério do Esporte a solicitar a devolução de aproximadamente R$ 54 milhões, além de recomendar a suspensão de novos repasses enquanto as questões fossem apuradas.
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