Após um ano, os preços médios dos imóveis anunciados à venda no Rio de Janeiro apresentaram aumento de 4,8%, passando de R$ 1,1 milhão para R$ 1,15 milhão entre o terceiro trimestres de 2025 e 2026. Contudo, essa valorização não foi uniforme em diferentes áreas da cidade, com alguns bairros registrando altas significativas enquanto outros sofreram quedas expressivas.
De acordo com levantamento realizado pela Loft, que analisou cerca de 1,16 milhão de anúncios em 113 bairros diferentes, 78 locais apresentaram alta nos valores de venda. A região da Portuguesa, na Ilha do Governador, liderou a lista com aumento de 38%. Por outro lado, Santa Cruz destacou-se como bairro mais desvalorizado, com recuo de 14,7%, seguido por Guaratiba, que teve queda de 14,5%, e Bangu, com baixa de 11,9%.
O estudo indica que a variação do preço médio está relacionada tanto às mudanças nos valores pedidos quanto ao perfil das propriedades disponíveis. Por exemplo, na Portuguesa, o tamanho médio das unidades subiu 35,1%, atingindo 102,6 metros quadrados, enquanto o preço por metro quadrado aumentou apenas 3,7%. Essa tendência reforça que a valorização no bairro está associada à ampliação do tamanho dos imóveis ofertados. Em bairros como Bancários, o preço médio cresceu 19,3%, enquanto a área média aumentou 27,7%, mas o valor por metro quadrado teve leve recuo de 0,9%. Em outros locais, a valorização também foi acompanhada por alta no preço por metro quadrado, como em Inhaúma, Flamengo, Catete e Laranjeiras.
Na ponta negativa do mercado, bairros da Zona Oeste e Norte tiveram as maiores quedas. Santa Cruz registrou o maior recuo, com preço médio anunciado de R$ 110 mil. Guaratiba e Bangu também tiveram reduções, de 14,5% e 11,9%, respectivamente. Na Zona Norte, Pavuna apresentou baixa de 12,4%, enquanto em Jacarepaguá, na Zona Oeste, os preços recuaram 9,7%. Esses bairros também tiveram redução no valor do metro quadrado, com Bangu e Santa Cruz apresentando quedas de 8,4% e 7,8%, respectivamente. Já o bairro do Joá foi o mais afetado, com recuo de 18,1% em seu preço médio anunciado, cujo valor ficou próximo de R$ 5 milhões, apesar da forte desvalorização, devido às características distintas das propriedades, que incluem áreas médias de aproximadamente 680 metros quadrados.
Na classificação de bairros mais caros, o Joá manteve a liderança, registrando o maior preço médio anunciado. Na sequência, aparecem Urca e Ipanema, com valores próximos de R$ 3 milhões. O Leblon, São Conrado e Lagoa também figuram entre os mais elevados. Em contrapartida, Santa Cruz apresentou o menor valor médio de imóveis, em torno de R$ 110 mil, seguido por Pavuna e Paciência, com aproximadamente R$ 123 mil. A disparidade entre o bairro mais caro e o mais acessível é de aproximadamente 45 vezes.
Ao longo do último ano, a área média dos imóveis anunciados passou de 108 para 108,8 metros quadrados, um aumento de 0,7%. A variação do valor mediano entre os diferentes bairros foi de 3,2%, enquanto o preço do metro quadrado variou 1,2%. Especialistas apontam que a valorização em bairros como Flamengo, Catete e Laranjeiras acompanha o crescimento do valor por metro quadrado, indicando uma tendência de valorização que não pode ser atribuída apenas à mudança no perfil das unidades. Ainda assim, bairros como Santa Cruz, Guaratiba e Bangu continuam experimentando retrações tanto no valor total quanto no metro quadrado.
O levantamento foi realizado com base em anúncios publicados entre julho e setembro de 2025 e o mesmo período de 2026, considerando bairros com ao menos 300 anúncios em cada trimestre. Os valores refletidos representam os preços pedidos pelos vendedores, sem garantia de valores finais de negociação.
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