A Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (CEHAB) está providenciando uma nova contratação de espaço na zona sul da cidade, mesmo dispondo de áreas cedidas pelo próprio governo em Copacabana. A medida foi revelada por uma reportagem, que aponta que a contratação não passará por processo de licitação e terá um custo de aproximadamente R$ 800 mil ao longo de dois anos.
Atualmente, a instituição opera em um edifício na Avenida Carlos Peixoto, no bairro de Botafogo, onde enfrenta problemas de deterioração. Relatos internos indicam que a sede apresenta danificações, como apenas um dos três elevadores operacional e suspensão de atividades presenciais ao longo dos últimos meses. Após uma forte chuva, parte do teto desabou, levando à interdição de dois andares da edificação. Além disso, o prédio figura em uma lista de imóveis que o governo planeja leiloar, sugerindo uma possível mudança futura da sede.
A justificativa oficial para a nova locação aponta que a necessidade de reformas nos espaços de Copacabana motivou a busca por uma solução temporária no mercado imobiliário. No entanto, a proprietária dos imóveis, a Riotrilhos, afirmou que os espaços encontram-se em boas condições de uso, precisando apenas de melhorias pontuais, e que a reforma completa é de responsabilidade da CEHAB. A locação prevista de dois anos também contrasta com o período de aproximadamente oito meses informado inicialmente para realizar as obras de adaptação.
Atualmente, a equipe da companhia é composta por cerca de 380 funcionários, incluindo servidores de carreira e profissionais contratados temporariamente. Com problemas de infraestrutura na sede de Botafogo, a maioria dos empregados trabalha remotamente, justificando a necessidade de um novo espaço. A proposta de alugar um segundo andar no mesmo prédio do Centro da cidade, estimada em R$ 20 mil mensais com três meses de carência, também está em análise.
A contratação, que não segue procedimento licitatório, levanta questionamentos, especialmente sobre a duração de dois anos para a locação, considerada prolongada para uma necessidade temporária. A CEHAB afirmou que contratos curtos são incomuns e que, caso o projeto de reforma em Copacabana seja concluído antes, poderá abandonar o novo imóvel sem maiores dificuldades, embora não tenha detalhado essa possibilidade.
Essa iniciativa remete a episódios passados de dificuldades enfrentadas pela companhia, como a desocupação do Palácio Vigia, na Rua da Quitanda, devido a dívidas resultantes de uma ocupação de mais de dois anos. Problemas similares ocorreram anteriormente em outros imóveis utilizados pela estatal, marcados por atrasos no pagamento de aluguel, IPTU e despesas de condomínio, além de cortes no fornecimento de energia, agravando a questão de infraestrutura da entidade.
O desenvolvimento dessas ações evidencia os desafios atuais da CEHAB na administração de suas próprias instalações e os desdobramentos futuros ainda estão por ser definidos, incluindo o impacto das mudanças na sua sede e a conclusão do projeto de reformas em Copacabana.
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