outubro 21, 2026
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21/10/2026

Revitalização da praça dos estivadores na Pequena África recebe R$ 2 milhões

A área da Pequena África, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, terá uma revitalização na Praça dos Estivadores, acompanhada de investimentos em três novos espaços culturais. O projeto, lançado pelo BNDES em parceria com a Prefeitura, envolve um aporte inicial de R$ 23 milhões, sendo que R$ 2 milhões serão destinados à reforma da praça. Os demais recursos dependem de captação pública e privada para a implementação das iniciativas.

As melhorias na Praça dos Estivadores incluem arborização, instalação de bancos, estruturas de sombra, aprimoramento na iluminação pública e uma reorganização do entorno, priorizando o fluxo de pedestres. Além disso, o espaço receberá atividades artísticas, feiras, rodas de conversa e eventos comunitários. Dois totens informativos serão instalados, exibindo um mapa com pontos de interesse do distrito e detalhes sobre a história da praça, dos trabalhadores portuários e da formação afro-brasileira na região.

A elaboração do projeto envolveu consultas a moradores e agentes culturais locais, evidenciando a necessidade de áreas de sombra e melhores condições para a realização de atividades culturais. A praça fica próxima de estabelecimentos como a Casa Tia Ciata, o Afoxé Filhos de Gandhi, os Jardins Suspensos do Valongo e a Casa João de Alabá.

No âmbito do Distrito Cultural Pequena África, estão previstos ainda a criação de uma biblioteca e de um conservatório musical, ambos com investimento de aproximadamente R$ 8 milhões cada. A Biblioteca Machado de Assis, resultado de uma parceria entre o BNDES e a Fundação Biblioteca Nacional, deverá passar por requalificação de um imóvel da fundação, tendo acervo voltado à literatura afro-brasileira e à memória oral, além de sala de exposições, auditório, jardim no terraço e café. Já o Conservatório da Música Preta Brasileira, a ser instalado em um terreno cedido pela prefeitura na região do Largo da Prainha, oferecerá cursos de formação, ensaios, gravações e produção de obras musicais.

Outra iniciativa importante é a implantação de uma Fábrica, ligada à Fundação Darcy Vargas e orçada em R$ 5 milhões, ainda a captar recursos. O espaço será dedicado à capacitação, suporte técnico e comercialização de produtos, com foco em fortalecer empreendedores locais e a economia solidária negra.

No total, os recursos iniciais previstos chegam a R$ 23 milhões, dependendo de captações complementares. Além das ações na praça, o projeto contempla intervenções em ruas e praças como a Camerino, Harmonia, Livramento e o Passeio do Valongo, além de áreas de arborização e convivência. Estão também sendo estudadas possibilidades de implementação de habitação social na região da Pedreira, embora sem definição precisa.

O planejamento do Distrito Cultural Pequena África foi conduzido com ampla participação de moradores, pesquisadores, lideranças e instituições locais, por meio de oficinas, fóruns e visitas técnicas realizadas entre 2024 e 2026. Entre as ações de inclusão social, destaca-se a exigência de que ao menos 30% dos profissionais envolvidos sejam negros, além da oferta de cursos de letramento racial às equipes contratadas. Também foi realizado um concurso de ideias direcionado a arquitetos e urbanistas negros.

Entre as propostas futuras está a criação de um Centro de Interpretação e Museu Vivo da Pequena África, que integrará exposições sobre a diáspora africana, resistência negra, a história da escravidão e a formação do território, conectado ao edifício das Docas e ao Cais do Valongo.

A Pequena África, que compreende áreas da Saúde, Gamboa, Santo Cristo, além das regiões do Centro, Cidade Nova e Estácio, é o berço de marcos históricos ligados à cultura negra, incluindo a Pedra do Sal, a Casa Tia Ciata, o Instituto dos Pretos Novos e o Centro Cultural José Bonifácio. O Cais do Valongo, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, recebeu estimadas de 800 mil a 1 milhão de africanos escravizados entre os anos de 1774 e 1831.

A intervenção inicial será na Praça dos Estivadores, visando valorizar a memória do território e oferecer melhorias nas condições de convivência para quem trabalha, vive e produz cultura na região.


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