A disputa judicial envolvendo um imóvel na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, tem chamado atenção por envolver figuras públicas e interesses diversos. A propriedade está situada na região dos manguezais da Baixada do Bracuí, uma área com vegetação de Mata Atlântica, pequenas praias e uma cachoeira privada, acessível por mar. A questão central refere-se aos direitos de uso e ocupação de um terreno público, que não implica na propriedade do imóvel, que é de propriedade da União.
As negociações para aquisição de direitos de ocupação começaram em 2020, envolvendo o atacante Richarlison, seu ex-empresário e um político mineiro. Segundo informações, o jogador teria investido aproximadamente R$ 10 milhões na área, incluindo pagamentos a antigos ocupantes, melhorias na estrutura e custos de segurança. Em 2020, Flávio Bolsonaro visitou a propriedade a convite de um ex-senador, enquanto o imóvel ainda era ocupado por um empresário que negociava a transferência dos direitos. Posteriormente, em 2021, Flávio teria retornado ao local acompanhado de um advogado, Willer Tomaz.
Richarlison acusa Flávio Bolsonaro e Tomaz de terem atuado juntos para retirar seus direitos sobre o imóvel após uma recusa em vendê-lo. Flávio, por sua vez, afirma que foi incluído na disputa apenas como testemunha, negando envolvimento na questão. Tomaz sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação, enquanto o grupo ligado ao atacante teria negociado com indivíduos sem legitimidade para essa transferência.
Na esfera judicial, a disputa resultou, em 2022, em uma ação de reintegração de posse movida por uma empresa de transporte contra o grupo de Richarlison e outras partes. O processo foi extinto em 2023 sem julgamento de mérito, devido a divergências internas entre representantes da própria empresa de transporte quanto à ocupação do terreno. Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça avaliou favoravelmente uma decisão relacionada ao caso em 2025, e, em janeiro de 2026, o processo foi arquivado de forma definitiva.
Além do litígio judicial, o caso também gerou um pedido de investigação por irregularidades na regularização do terreno. Uma organização conhecida como Derrubando Muros encaminhou uma representação ao Ministério Público Federal, solicitando apuração de possíveis irregularidades envolvendo o imóvel, que pertence à União.
Richarlison declarou seu desejo de continuar buscando a restituição do imóvel ou o reembolso dos recursos investidos na propriedade.
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