No Rio de Janeiro, recentes remoções de árvores em áreas como Grajaú, Gávea e Flamengo reacenderam discussões sobre a diminuição da cobertura vegetal na cidade. Casualmente, algumas espécies antigas, como oitis e quaresmeiras, tiveram seus exemplares cortados, enquanto muros e concreto parecem dominar o cenário urbano. A decisão por essas intervenções ocorre em meio a uma política municipal que aprova a construção de edifícios sem considerar a importância de áreas verdes para o bem-estar de moradores e animais.
A situação traz à tona o pouco cuidado disponibilizado às árvores urbanas. Muitas delas, com décadas de vida, permanecem abandonadas. Apesar de sua relevância para a vida na cidade, as árvores são frequentemente afetadas por problemas decorrentes da própria urbanização, como pragas, doenças e quedas frequentes. Desde o fim dos anos 1990, a prefeitura não possui um programa estruturado para manutenção da arborização urbana. Entre 1996 e 1998, a iniciativa pioneira, intitulada Projeto Socorro Verde, buscava restaurar árvores de destaque na cidade por meio de tratamentos específicos e ações educativas, mas foi interrompida há anos.
No entanto, outras cidades brasileiras e internacionais adotaram práticas mais consistentes de manejo. São Paulo, por exemplo, mantém contratos permanentes para poda técnica, diagnóstico de risco e controle de pragas, com base em inventários georreferenciados e avaliações periódicas. Curitiba, reconhecida por seu planejamento urbano, realiza inspeções que abrangem desde o plantio até a prevenção de doenças, o que diminui riscos de quedas e aumenta a longevidade das árvores.
Fora do Brasil, ações como o programa MillionTreesNYC, de Nova York, exemplificam uma atenção contínua à arborização, com manutenção sistemática, participação comunitária e transparência na gestão das espécies. Essas experiências demonstram que a preservação e cuidado das árvores urbanas se baseiam em planejamento, investimento técnico e políticas públicas constantes, algo que, atualmente, o Rio de Janeiro não mantém. Assim, o abandono presente na cidade reflete uma decisão que compromete o equilíbrio ambiental e a qualidade de vida urbana.
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